terça-feira, 31 de outubro de 2017

o que se sabe sobre as bruxas



O que toda a gente sabe sobre as bruxas é que elas são feias, têm narizes disformes e aduncos, verrugas nos sítios mais improváveis e que dão umas gargalhadas horríveis. 
Também se sabe que as mulheres ruivas são bruxas, como dizia a inquisição, que aqui por terras lusas se encarregou de matar umas dezenas de milhar de mulheres por essa razão. Só ficou por explicar que outras razões levam pessoas aparentemente normais a queimar mulheres, seja por que razão for.
É igualmente sabido que as bruxas são as que empatam as fadas, se bem que hoje já se tem consciência de que as fadas se fartam de empatar as bruxas, mas elas é que ficam com a fama.
Hoje, que é o dia das bruxas, temos de convir que elas são é umas grandes malucas, com propensão para voar por aí soltas em vassouras, coisa que mais ninguém se atreve a fazer. Vão passar a noite na maior farra, a beber e a comer como se não houvesse amanhã, a explorar prazeres que a maior parte de nós nem se atreve a pronunciar.
Será isso mau? Se fosse, mesmo a sério, por que usaríamos um dia, ou melhor, uma noitada de bruxas para nos lembrar que é possível enlouquecermos um bocadinho de vez em quando. Na minha opinião, o dia destas criaturas aparentemente horrendas celebra-se para provar que nem o horrível é permanentemente mau, nem o bonito é permanentemente bom.
É possível ver bom e mau em todo o lado e gozar um pouco à maneira dos que se permitem essa liberdade, apesar dos preconceitos e das moralidades apressadas com que gostamos de nos armar em santinhas e santinhos.
Ter um dia para fazer da farra o único sentido da vida é ou pode ser tão bom como ter outro para enterrar a cabeça no trabalho (e há muitos mais dias para isso). Não é por nos concedermos essa liberdade que perdemos a face e podemos continuar a ser uns chatos entediantes e entediados o resto do ano.
Portanto, feliz dia das bruxas. Farremos!
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