Não é o Karate Kid, mas o Tio Sam com medalhas nos mamilos, digno de figurar em qualquer ousado desfile pelos direitos lgbt. Uma escolha no mínimo interessante, esta do The Economist, para mais uma ronda de lamúrias sobre a economia dos States e o vírus altamente contaminante da velha e alquebrada economia europeia o artigo lê-se aqui). Alguém terá ainda pachorra para o discurso eu não fui dos cérebros estado-unidenses sobre a culpa do euro no esquema de pirâmide que eles próprios inventaram para vender casas, seguros e hipotecas das mesmas, e levar a economia global ao estado de falência em que se encontra? A economia made in USA está robusta como o power body do hunk que posou para a foto de mamilos decorados? Mas a cabeça, decorada com uma barbicha de velho bode quer dizer o quê? Que o fauno não é o que parece? E acham que não sabemos? Que outros esquemas Ponzi, Matrix e piramidais vão lançar a seguir as Moodys do Novo Mundo? Muitos deméritos para esta chalaça do The Economist.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
uma barriga demasiado cheia
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| Copyright MMF |
Os problemas começam quando a gente se torna incapaz de os ver. Há anos que os sinais se multiplicam, mas o poder está cego e não vê o óbvio: aquilo que o vai derrubar. Não são partidos, não são líderes. E faltando estes, o poder acha que não há perigo nenhum. Demasiado habituado a descobrir a cabeça da cobra para a decepar, não entende que até a oposição mudou. Não são precisos líderes ou partidos para convocar o apoio dos oprimidos. Bastam as comunicações, a facilidade com que hoje de diz que não se está de acordo com isto ou aquilo, se espalha a palavra e se convocam simpatizantes para uma causa.
De que lhes adianta estarem a tentar descobrir o futuro do euro, da comunidade europeira e da economia global, se não é nada disso que está em causa? Já ninguém acredita na capacidade de liderança dos economistas e estrategistas do poder, a não ser uns poucos esbirros e novos recrutas.
Não são as armas a ameaça, mas a falta de vontade das pessoas vulgares em aceitar os cada mais frequentes abusos de poder. Como é que vão usar os seus exércitos em pessoas que não pegam em armas? Como é que vão acabar com a resistência de pessoas que, pura e simplesmente, já não lhes ligam nenhuma?
Podem apertar o cinto quanto quiserem, porque a maior parte das pessoas já sente, se não sabe, de facto, que nada tem a perder. A maior derrota é a da incapacidade de diagnóstico da situação.
O poder investiu tudo numa única frente: o poder económico e a usura. A frente está gasta, seca, improdutiva. Comeram o pequeno-almoço, o almoço, o jantar e a ceia, atacaram a despensa e agora não há provisões nem onde ir buscá-las. Mais, estão de barriga demasiado cheia para conseguir rebolar para outro lado.
domingo, 24 de julho de 2011
sustentável?
| Foto MMFerreira |
A população mundial duplicou desde a década de 60. Fomos capazes de gerar vacinas, antibióticos, prevenção, cirurgias cada vez mais complexas e eficazes, tratamentos dentários e planos de desenvolvimento. Descobrimos como multiplicar os peixes e ensinar a pescar, mas não como matar a fome ou a não matar.
Também nunca descobrimos, aparentemente, como lidar com as consequências deste brutal crescimento demográfico.
Pensando bem, de que serviriam todas as descobertas se não houvesse como tirar partido delas? Quem compraria vacinas, hamburguers, telemóveis, sementes geneticamente modificadas e máquinas fotográficas se, de repente, algum génio se lembrasse de que seria ajuizado que as famílias não ultrapassassem um número restrito de filhos? Seria isso sustentável ou uma violação de direitos fundamentais?
A palavra sustentável é uma adição bastante recente ao nosso vocabulário mundial e quase completamente incompreensível para a maioria das pessoas. Fala-se muito em ecologia e mudanças climáticas, poluição e fontes alternativas de energia, mas pensar também em todas essas coisas associadas ao sustentável é ainda um exercício complexo e acima das reais capacidades do conhecimento médio.
A própria média, de vida, de consumo ou de conhecimento, é uma espécie de terra de ninguém onde crescem híbridos resultantes da vontade de dar a conhecer a realidade e daquilo que é politicamente correcto, constituindo, na verdade, a terra fértil da propaganda dos regimes.
Voltando ao facto de a população mundial ter duplicado nos últimos 60 anos, seremos realmente capazes de entender as consequências dessa constatação em toda a sua aterradora complexidade? O que aconteceria, por exemplo, ao nosso especulativo sistema económico global, se de repente nos preocupássemos todos com a sustentabilidade demográfica do planeta e desatássemos todos a pôr em prática soluções para atingir números ideais de habitantes por percentagem territorial?
Ou não fazemos nada e esperamos que a Natureza, mais uma vez, se encarregue de repor o devido equilíbrio, à semelhança de outras fases históricas de que temos indícios?
Mais acutilante ainda: o que é que eu vou fazer com esta informação? Está na minha mão contribuir significativamente para uma solução?
Devo depositar a minha fé num qualquer deus capaz de zelar pelo bem-estar de todos os crentes e assegurar o seu lugar nos céus, descartando todas as outras criaturas como simplesmente insustentáveis? Ou, de uma forma muito zen, aguardar que se faça luz no meu actualmente incapaz e desarmado espírito, esperar que desça de Marte, Vénus ou Plutão um OVNI cheio de revelações e esperanças, ou que o Apocalipse resolva por mim todos os dilemas da Humanidade?
Em qualquer dos casos, a tarefa é desmesurada para a real importância de cada indivíduo isolado. Mas se não começamos por aí, por onde poderemos alguma vez começar?
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
tentar escapar
Ao contrário dos votos trocados no princípio de outros anos, os deste ano podem começar como os desta conversa, tida há um bocado com um amigo:
- Que tal vai isso?
- Vai indo. Vou escapando aos despedimentos. E tu?
- Trabalhando por conta própria. A tentar fugir ao desemprego.
- Pois. Não está fácil.
- Há que ter calma. Não podemos desatar todos a matar gente e a assaltar bancos, até porque não somos concorrência para os de leste.
- Yah. Vai um dia de cada vez.
- E quando tiver de ser, sempre podemos ir acampar para Belém e São Bento, com a protecção da Guarda Nacional Republicana e outras forças de segurança nacionais. Nem tudo está perdido.
- Pois não. Bem, volto ao trabalho.
- Ok. Também tenho de responder a uns quantos anúncios de emprego.
- Há alguma coisa de jeito?
- Claro que não. Só as empresas de telecomunicações a pedir pessoas para massacrar os incautos pelo telefone.
- Isso dá alguma coisa?
- Despesa, é o que dá. Aquela coisa dos objectivos, sabes? Números aliciantes, mas impossíveis. Pretextos para não pagar o trabalho de ninguém. Recrutam dezenas de pessoas todas as semanas.
- E a malta cai nisso?
- Que remédio. O desespero é péssimo conselheiro. Depois ainda é pior: acaba-se a massa para os transportes e a malta desiste. O passo seguinte é o centro de emprego. Mas como desististe do trabalho, não tens direito a nada.
- Incrível. E ninguém se queixa?
- Não vale a pena. No centro de emprego garantem que nas grandes companhias ninguém toca. O que deve ser verdade, porque continuam a operar no mesmo esquema. E são sempre as mesmas.
- Quais são as alternativas?
- Podes sempre embarcar numa de suplementos alimentares miraculosos, máquinas de filtrar água, aspiradores turbo, máquinas de café expresso, enciclopédias e outros esquemas de pirâmide que vão dar ao mesmo. Em qualquer dos casos, no desespero de cumprires objectivos, lixas todos os teus contactos pessoais. Até podes ter dinheiro para o café, mas ficas sem ninguém para o tomar contigo.
- Isto está mesmo lixado.
- Olha que ainda não. Vês algum governante a tomar medidas para isto?
- Não.
- Então? A malta ainda aguenta. Enquanto os bancos nos derem crédito com o dinheiro dos impostos que nos esmifram, ainda se aguenta.
- E depois?
- Jardins de São Bento. Ajuda connosco.

- Que tal vai isso?
- Vai indo. Vou escapando aos despedimentos. E tu?
- Trabalhando por conta própria. A tentar fugir ao desemprego.
- Pois. Não está fácil.
- Há que ter calma. Não podemos desatar todos a matar gente e a assaltar bancos, até porque não somos concorrência para os de leste.
- Yah. Vai um dia de cada vez.
- E quando tiver de ser, sempre podemos ir acampar para Belém e São Bento, com a protecção da Guarda Nacional Republicana e outras forças de segurança nacionais. Nem tudo está perdido.
- Pois não. Bem, volto ao trabalho.
- Ok. Também tenho de responder a uns quantos anúncios de emprego.
- Há alguma coisa de jeito?
- Claro que não. Só as empresas de telecomunicações a pedir pessoas para massacrar os incautos pelo telefone.
- Isso dá alguma coisa?
- Despesa, é o que dá. Aquela coisa dos objectivos, sabes? Números aliciantes, mas impossíveis. Pretextos para não pagar o trabalho de ninguém. Recrutam dezenas de pessoas todas as semanas.
- E a malta cai nisso?
- Que remédio. O desespero é péssimo conselheiro. Depois ainda é pior: acaba-se a massa para os transportes e a malta desiste. O passo seguinte é o centro de emprego. Mas como desististe do trabalho, não tens direito a nada.
- Incrível. E ninguém se queixa?
- Não vale a pena. No centro de emprego garantem que nas grandes companhias ninguém toca. O que deve ser verdade, porque continuam a operar no mesmo esquema. E são sempre as mesmas.
- Quais são as alternativas?
- Podes sempre embarcar numa de suplementos alimentares miraculosos, máquinas de filtrar água, aspiradores turbo, máquinas de café expresso, enciclopédias e outros esquemas de pirâmide que vão dar ao mesmo. Em qualquer dos casos, no desespero de cumprires objectivos, lixas todos os teus contactos pessoais. Até podes ter dinheiro para o café, mas ficas sem ninguém para o tomar contigo.
- Isto está mesmo lixado.
- Olha que ainda não. Vês algum governante a tomar medidas para isto?
- Não.
- Então? A malta ainda aguenta. Enquanto os bancos nos derem crédito com o dinheiro dos impostos que nos esmifram, ainda se aguenta.
- E depois?
- Jardins de São Bento. Ajuda connosco.

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