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terça-feira, 30 de abril de 2019

as meninas vão à praia

"beach day" by MMF
As meninas vão à praia. Porque é terça-feira, ou martes, ou seja, dia de Marte. O regente do vigor, da combatividade e da acção. Portanto, as meninas sensatas vão para a praia repor a sua energia e  ficarem em condições de gozar plenamente as suas interessantes vidas. E para ponderarem na dissolução das imensas formas desinteressantes que têm de deixar de fazer parte da vida. Como as ideias feitas de todo o tipo. Como continuar a pôr o dever à frente do prazer, por exemplo. Sem prazer não há combustível para executar o dever. A ordem dos factores tem muita importância nestas coisas. Por isso, hoje é dia de ir para a praia repor adequadamente os níveis de energia. Sem exagerar, por causa dos escaldões. E sem hesitar, pois só o prazer nos redime e devolve o sentido da vida.

domingo, 12 de agosto de 2018

silêncio e prazer

"within the flow", fishy things series
No silêncio das manhãs de domingo a apreciar a tranquilidade e a seguir com a corrente. Puro prazer, o de deixar que a vida nos arraste, em vez de ceder à tentação de arrastar a vida. 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

fruo, logo também existo

"fruição"
O dever antes do prazer é uma daquelas frases que parecem talhadas para os dias de hoje, em que a obsessão pela prova de que se trabalha até cair, que se dá às criancinhas tudo o que elas querem e não querem, que não há tempo para mais do que as obrigações. Em que todo o mérito se resume a cumprir os objectivos traçados por uma imensa máquina de propaganda (ou entretenimento) que acredita piamente que se não metralhar as suas aparentes verdades a uma cadência alucinada por segundo, morre na praia.
Claro que morre. É só apreciar a caótica trumpada que para aí anda. A amálgama de disparates e desconcertos que é, afinal, prova bastante que o dever sem equilíbrio é mortal para o indivíduo, para a sociedade e para o planeta. Para todo o universo, provavelmente.
O prazer não existe para ser alvo da nova inquisição que determina que apenas os festivais pop ou populares é que são aceitáveis. E que tudo o mais tem uma norma e uma conformidade traduzível num código de barras e no consentimento da maioria.
Esse afunilamento voluntário da riqueza interior de cada um, de soluções diferentes, de atrevimentos que fogem à adamastoriana organização das sociedades, tão cega como uma máquina sem condutor, é uma tristeza de deveres sem cérebro, sem alma e sem vida. Sem prazer.
A aprendizagem da fruição tornou-se uma tarefa quase ilegal, quando não sujeita às modas vigentes. O tempo não lhe é favorável com tanto dever subjacente ao que serve a tal maioria decapitada que governa os ditames do que parece ser conveniente e aceitável.
Qual o sentido de uma vida inteira a trabalhar os deveres para chegar aos prazeres prometidos, se tudo se esgota na primeira parte, sem intervalo nem segunda parte e final feliz?
O caminho do meio parece impossível no pouco inteligente enredo colectivo que acredita que todas as boas soluções passam pela adição imparável de mais e mais obrigações, mais e mais normas, mais e mais trabalho.
O equilíbrio é impossível quando nos inclinamos todos para o mesmo lado uma balança que tem o seu fiel ao centro. Nesta visão do funcionamento de todas coisas afogamo-nos permanentemente em derrocadas e a única resposta em que insistimos é mais do mesmo para ver se endireitamos o barco. Mas o naufrágio é o único cenário evidente.
A fruição, o prazer é o outro prato da balança. Existe não para ser desacreditado e desvalorizado, mas para nos devolver o equilíbrio. Através da criatividade que nos inspira, da satisfação com que nos invade e preenche, de um novo olhar sobre todas as coisas.
Nem só de pão vive o homem e não faz mal nem é pecado saltar uma refeição para ler um livro, ouvir música que não se limite a martelar como uma máquina, passear o olhar pelas artes ou explorar a natureza sem ser na pele de carneirinhos amestrados, com auto-nomeados pastores a decidir que temos todos de caminhar ombro a ombro pelas mesmas veredas que milhões de outros.
A nossa vida devia ser inteligentemente dividida em dever e prazer, durante as nossas horas vigilantes. Com uma saudável dose de desconfiança por esses bulldozers do entusiasmo do trabalho libertador que tanta gente interna em campos de duvidosa finalidade.
A fruição também liberta e não deve ser controlada pelo extremismo fanático que escraviza a vida num cemitério de obrigações inadiáveis.

sábado, 9 de junho de 2018

puro prazer


A saber, quantas coisas fazemos por puro prazer? Quantas outras lembramos pela sua natureza prazenteira? E quantas arruinamos a magicar aborrecimentos tidos ou imaginados?
Pedalar sem destino, andar descalço, aterrar a cabeça à noite na almofada, boiar, fechar os olhos um minuto, cantar, sentir o vento na cara. Prestar atenção a cada momento vivido.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

uma oficina de manifestações

Fotografia de Paulo Paz, na OD - Oficina do Desenho
A desenhar, a pintar é que a gente se entende. Literalmente. Investir em tempo para manifestar qualquer coisa que faça sentido e nos entusiasme é ir à origem da vida. Lembrar o propósito que nos trouxe a esta vida e recuperar a capacidade de manifestar o que somos.
Encontrar um local onde mais pessoas entendem o encantamento dessas viagens é entender o poder da partilha, multiplicar o frenesim criativo que nos subtrai à imposição das catástrofes iminentes. 
Ter o prazer de ver criar com riscos, pincéis e conversas sempre interessantes sobre arte e tudo o que a ela se refere é um privilégio. Assistir à transformação de quem entra num espaço dedicado à criação, outro.
A experiência é tudo. O prazer de manifestar o mundo que se desenrola na mente. Se são necessários lápis e pincéis para isso, que se usem. Se são as palavras que tomam o seu lugar, excelente. 
Há sítios físicos em que isso acontece e uma oficina do desenho é disso prova.

terça-feira, 3 de abril de 2018

afinal, o prazer

"All about pleasure" by MMF
I have a place to die where I often stay, not for long and quite cautiously. It is my source and my true nature, but I also like it here where chaos is generated and we all can play the silly game we call life. Where else would I experience such a crazy, inebriating folly? [E. Mushul]

Tudo se resume ao prazer, ou ao desprazer. No final, bem vistas as coisas, a nossa balança das sensações é o que conta. Todas as situações são decididas na escala do que nos agrada ou do que produz desagrado. Uma vida simples, apesar dos floreados a que nos dedicamos para que tudo pareça mais o que realmente é.
O desprazer é tão consistente quanto o prazer. Somos tão capazes de lhe fugir como ratinhos frenéticos num labirinto em busca da saída. Que raio de mundo arquitectámos, nesta rede de impulsos e sensações arbitrárias com motivos camuflados em origens para já inatingíveis.
Fica a longa panóplia de prazeres para desvendar, dos divinais aos mais profundamente desagradáveis. E a nossa capacidade de criar inúmeras novas matizes para desafiar o tédio do conhecido.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

liberdade do pensamento

foto daqui
Fechar os olhos e pensar num farto pequeno-almoço, de fruta, hidratos de carbono e café. A sensação de prazer é tão autêntica como estar à mesa a dar conta de uma pilha de panquecas e frutos. A diferença fica na sensação que se segue. O pensamento que nos faz sorrir de prazer e nos liberta em seguida para outras experiências. Ou o prazer que nos amarra à digestão e à consciência de um corpo que, encarado como uma realidade demasiado presente, nos limita. Qualquer das hipóteses se acarinha e se abraça como válida e enriquecedora. O prazer experimenta-se de muitas formas, mas a liberdade do pensamento jamais deixa de nos surpreender.