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domingo, 19 de agosto de 2018

cataclismos anunciados

Live Kindly "Ocean Plastic Polution"
As redes sociais espelham o estado do mundo. Assim à semelhança dos plásticos que poluem os mares, a emissão de gases nocivos ou os depósitos de lixo a céu aberto. O mais que se publica é somente poluente e ilustrativo das carradas de inutilidades, pensamentos destrutivos e futilidades que a maioria das mentes produz.
Toda a gente tem opinião sobre tudo, o que é um direito que lhes assiste, sem sombra de dúvida. Contudo, se a maioria se desse ao trabalho de rever as suas publicações e os seus comentários, à laia de revisão da matéria dada, ficariam com certeza chocados com a sua capacidade de despejar raiva, insultos, declarações de falta de fé a propósito de tudo, de produzir julgamentos de valor sem qualquer respeito por aqueles que visam, pela facilidade das suas condenações e pela imagem negativa que dão de si.
Tudo coisas que produziriam o pior dos efeitos se lhes fossem dirigidas. No entanto, não fazem cerimónia em relação aos outros. Não lhes dão o benefício da dúvida, não questionam a veracidade de qualquer publicação, negando totalmente a sua capacidade de contenção e de boa educação.
Se os visados têm um nome público, então é um fartar vilanagem, como se a notoriedade se destinasse apenas a provar que quem a obtém é um alvo fácil e destinado a ser abatido. 
Nos intervalos, publica-se a erudição em dois segundos, com as imagens engalanadas por grandes pensamentos e grandes verdades, citações, anjos, crianças, gatinhos e outros animaizinhos nas suas versões fofas e doces. De médico e de louco todos temos um pouco, mas esta moda de auto-rotulagem através de cultura página cinco parece um show global dos Monty Python, versão ultra económica.
O exemplo vem de cima, claro, com muitos circos e contra-informação a ser profusamente difundida pelos líderes que não se sentem capazes de resistir aos conceitos mais populares de comunicação mediática, sentindo-se na obrigação de produzir publicações diariamente e mesmo que a despropósito.
A verdade é que o mais inofensivo que se observa são as fotografias dos pratos de comida à hora de almoço. Quem, na realidade, quer acreditar que a pior versão de si é a que os outros querem conhecer e admirar?
Sim, o mundo está tal como estamos também, caótico e negativo como a única realidade que somos capazes de imaginar e reflectir, nas redes sociais e fora delas. E se não conseguirmos imaginar nada melhor e reflecti-lo na forma como vemos o que nos rodeia e como agimos, então não nos resta senão o inevitável cataclismo que anunciamos.

domingo, 5 de novembro de 2017

deliciosos domingos

photo by Mafalda Mendes de Almeida
O que faz do domingo um dia tão delicioso? O pequeno-almoço na cama ou a sorna sem rotinas obrigatórias? A preguiça ou um filme que se vê no sofá? As almoçaradas com a família ou amigos?
A resposta não está na convenção de um dia de descanso, como o sábado, sugerido pelas linhas-guia dos escritos religiosos. Nem no código do trabalho. Ou no ritmo hiper galopante do que consideramos ser as rotinas obrigatórias dos nossos dias.
Domingos ou outros dias para esticar preguiçosamente as pernas são dias deliciosos porque temos tempo para pensar e estar connosco. Para repensar os rumos que tomamos e fazer um balanço do que realmente vale a pena. Ou simplesmente para relaxar e sentir o corpo, respirar e outras pequenas coisas essenciais que não nos damos ao trabalho de respeitar todos os dias.
Mesmo assim há quem se infernize com a antecipação de voltar ao trabalho na segunda. Sem dar conta que reiniciar mais uma semana também é um poderoso gatilho para mudar e começar de novo se alguma coisa não está a dar certo.
Afinal, somos todos cientistas de primeira água. ocupadíssimos, durante toda a vida, a falhar e a voltar a tentar, a aprender com os nossos erros. Por isso, todas as segundas-feiras são para ser naturalmente contabilizadas como novas fases de testes. Aproveitemos.
Voltando aos nossos deliciosos domingos, que bem sabe ficar a olhar para o tecto na cama, demorar a decidir o que se toma como pequeno-almoço, o que vai deixar de se fazer porque, de repente, se tem consciência de que somos livres e podemos mudar as nossas escolhas rotineiras como nos apetecer.
O problema é que não temos noção disso todos os dias, vá lá saber-se porquê...
Domingos são dias de nada e, como o nada não existe, são dias de tudo. De todas as possibilidades em aberto. Já pensaram bem nisso enquanto se arrastam de um lado para o outro a pensar como podem aproveitar melhor a folga para ser tudo sem ser nada?
Santa Abacate nos dê muitos domingos deliciosos para entendermos de uma vez que é possível ser e ter tudo quando não nos apetece fazer rigorosamente nada.