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quarta-feira, 14 de março de 2018

escolas livres de excessos


Quando se mexe nos contratos de fornecimento de refeições as escolas, o ideal era mesmo ter a coragem de eliminar, pura e simplesmente, os alimentos que prejudicam a saúde física e mental das crianças e dos jovens.
Estando provado que os refrigerantes, açúcares, fritos e alimentos excessivamente processados, o que raio faltará para que se assuma a necessidade de, nas escolas se proibir o consumo de bebidas e alimentos nocivos à saúde?
Será que o interesse das grandes empresas de sobrepõe com vantagens a um défice de desempenho escolar e a um futuro de maus hábitos, doenças e tratamentos ruinosos?
É uma vergonha, ou muita falta dela, que governantes que se afirmam conscienciosos e defensores do interesse maior dos cidadãos, não se comprometam definitivamente com a saúde e bem-estar dos mais novos, assegurando-lhes um futuro bem mais risonho e promissor.
Isto, claramente, sem prejuízo do livre consumo de toda a sorte de alimentos por adultos informados e apreciadores de açucares e de outras substâncias e paladares universalmente apreciados pelos bons garfos.
Mas não é deliciosamente aliciante pensar em novas gerações de crianças e jovens saudáveis e bem dispostos, com clara consciência de que a ingestão de alimentos menos adequados também é possível dentro de parâmetros mais adequados?
A educação também deve oferecer uma disciplina mais coerente e benéfica para os hábitos pessoais, orientando jovens e pais para uma maior consciência e melhores práticas em relação aos cuidados de saúde física e mental.
Eliminar excessos indesejados das cantinas escolares é uma medida semelhante à proibição de substâncias como o álcool e o tabaco. A indústria alimentar devia ser igualmente disciplinada para orientar a sua oferta adequadamente para as diversas faixas etárias e de acordo com a actual consciência de práticas nocivas à saúde.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

apologia: qualidade de vida

Sistema informático de senhas do Centro de Saúde de Cascais
Na semana a seguir ao Natal uma alergia nos olhos da minha mãe fez-me ligar para o número da Saúde 24, um serviço que funciona bastante bem e nos encaminha criteriosamente para os serviços médicos mais adequados a cada caso. O Centro de Saúde de Cascais foi o indicado, na ocasião.
Lá chegadas, a primeira imagem foi a que se reproduz acima, com o maravilhoso aparato tecnológico das senhas de atendimento engalanado com cordel, rolo de senhas e folhinhas coladas a fita-cola, uma delas escrupulosamente escrevinhada à mão. (E reparem nos fios à direita, enrolados e à mão de semear, como convém em termos de segurança...)
As pessoas chegadas ao balcão, pois não eram só as senhas apenas que não funcionavam. O sistema informático em baixo, incapaz de receber os faxes do Saúde 24; nem os telefonemas se aguentavam. Médicos não havia, à excepção dos que se passeavam à espera de casos específicos, imagina-se, uma vez que para os casos como os da minha mãe e de outros, não havia. Estavam na hora do almoço alguns, enquanto os outros não se sabia se atenderiam.
As funcionárias, à falta de argumentos, repetiam incessantemente o que podiam fazer, que era explicar que não havia atendimento, pelo menos até chegarem médicos ou qualquer milagre caído do céu. Ao pedido do livro de reclamações reagiram defensivamente, como se a culpa fosse sua. Mas não era e a queixa foi feita, mesmo com pouca confiança nos resultados que daí podem advir. Se não se faz é o mesmo que concordar que tudo fique na mesma e isso é, no mínimo, incoerente e fútil.
Novo telefonema para a Saúde 24 remeteu-nos para as urgências do Hospital de Cascais que, como é sabido, não tem urgência de oftalmologia. Daí, com alguma sorte, encaminhar-nos-iam para as urgências oftalmológicas do Hospital Egas Moniz e, se não tivéssemos mesmo sorte, repetir o processo para as urgências do Hospital de Santa Maria.
Resolvemos não arriscar e recorremos à CUF, onde ficámos três horas, como mais umas dezenas largas de pessoas, também elas fugidas de outras inexistentes soluções. Lembrei-me dos tempos idos do pós 25 de Abril, em que nem a desorganização das infra-estruturas básicas obrigavam a condições tão desesperantes.
Agora, com tanto glamour e tanta festa, tanto prémio e tanta comemoração, tanto artigo elogioso, Cascais, o concelho da riqueza e da qualidade de vida, não tem um centro de saúde operacional, nem um serviço de urgências que cubra a oftalmologia ou outras especialidades que assegurem reais situações de necessidade.
E isso é que é pobreza, porque ela se mede, não pela quantidade de pessoas de baixos ou inexistentes rendimentos, mas pela incapacidade de administrar e bem gerir o património comum e público. Apesar das subidas constantes de taxas e impostos municipais, dos discursos floreados e da propaganda das instituições. 
Igual sinal de pobreza é investir insanamente no marketing político e empresarial sem ajuizar os resultados da comparação natural que o cidadão comum faz entre o que lhe tentam impingir e as suas carências reais. A consciência de todos evolui e é sinal de escassez intelectual acreditar que só a propaganda vai resultar no apaziguamento das incongruências e das assimetrias abismais que se sentem a todo o instante. 
No final, a luz triunfa sempre, uma vez que a sombra é impossível sem ela e a contrária é, simplesmente, impossível.