segunda-feira, 30 de agosto de 2010

silêncio que estou a ler


Eram momentos sagrados, os do pequeno-almoço tomado em silêncio, a ler banda desenhada. Às vezes lanches, outras vezes, o prazer de ler com uma taça de papa misturada com leite condensado.
Durante anos, o meu avô materno coleccionou todos os suplementos de banda desenhada dos jornais portugueses, que enviava para as netas, em Moçambique.
A recepção daqueles pacotes era um momento alto das nossas vidas. A mãe Aida abria a encomenda à nossa frente, para não se perder nada. E decretava a seguir o ritmo a que se consumiria aquela leitura.
Uma vez por mês chegava também o caixote dos livros, encomendados numa livraria da Beira. E mais uma vez se repetia o ritual. E a distribuição das leituras.
Os livros foram sempre tantos que, ao sair de Moçambique, houve que tomar a dolorosa decisão de lá deixar quase tudo. A doação à biblioteca de Inhambane aliviou um pouco a separação. Mas confesso que me custou deixar as pilhas de banda desenhada para trás.
Já voltei a Inhambane e à biblioteca, mas os livros não estavam lá. E os leitores pagam 5 meticais para levantar livros. A parte dedicada aos livros ocupa agora uma sala do edifício alocado à polícia.
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