domingo, 22 de março de 2026
lines of other worlds
O carinho e o entusiasmo da Maria Morais produziu esta oportunidade de mostrar trabalhos de pequeno formato de uma forma diferente. A Dom Pastor, no Mercado de Campo de Ourique, em Lisboa, é um local especial, de coisas de bom gosto e de gente acolhedora que resolveu acolher os meus riscos e pinceladas. Vão ver e comentem. Como se não houvesse amanhã. Tem de haver urgência neste mundo louco para fruir outras coisas que não as marteladas dos medos de um futuro que ainda não chegou. Quando pego no lápis ou no pincel a criação só depende de mim e da alegria que isso provoca. E gosto definitivamente dessa parte das minhas emoções. O mundo não é acabrunhado só porque sim. É muito mais LINES OF OTHER WORLDS.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
há bicho na colheita
Eleições completamente decepcionantes à porta, com discussões de vizinhas maldispostas, acusações de meninos malcriados, espectáculos que ninguém merece.
O que as sondagens e as notícias não dizem é que estas coisas são como os vidros que deixamos cair e, mesmo quando se apanham, não voltam ao mesmo. Levam décadas a ser repostos no devido contexto, mas são três passos atrás e só um para a frente.
Repetição da matéria dada para cábulas que nunca aprendem. Se a chuva os arrastar para o lado, talvez haja tempo para qualquer coisa boa. Mas a colheita desta vez apanhou bicho.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
alegria sem calendário
O Natal começa quando o comércio quer. À espera do Eldorado das vendas, entre Outubro e Dezembro 'mata-se' a festa com a inflação da expectativa e o cansaço da repetição das músicas, dos enfeites e dos marcadores de desconto. Esgotante e aborrecido, embora possa parecer coisa de campeões de resultados. Se fosse, não estavam sempre a adicionar mais duas semanas à maré natalícia.
No entanto, nem tudo são más notícias. Por exemplo, cá estou eu a entusiasmar amigos e família com a minha permanente paixão pelo Natal. Também há quem, nem que seja só por superstição, nos deseje festas felizes. Não vá o Céu reparar e excluí-los das bênçãos natalícias.
Depois há gente que não admite a sua infantilidade e festeje secretamente a esperança de um dia destes ainda ver o Pai Natal.
Como acredito que há muito mais Mães Natal e estou sempre a vê-las, não desanimo. Dá gosto observar como se aplicam, se preocupam, se emocionam com os sorrisos que arrancam com as suas comidinhas e prendas. Mesmo depois de se esfalfarem todas a poupar o décimo quarto mês, a correr para as compras depois do trabalho e antes do jantar, a limpar a casa para a ocasião, montar a árvore e espalhar enfeites, preparar o jantar, o almoço de festa e a arrumar tudo para ir trabalhar no dia seguinte.
As Mães Natal nunca me desapontam e, para dizer a verdade, estão todo o ano presentes, atentas e incansáveis. Nem percebo por que razão as consideram o sexo fraco. Portanto, Festas Felizes para todas.
Além disso, o Natal também existe para nos lembrarmos que a fraternidade, a compaixão, o amor e alegria são um quarteto sólido e resistente. Faz-se lembrar naturalmente quando pensamos no espírito natalício e nos sentimos compelidos a pô-lo em prática.
Portanto, Festas Felizes, com muita alegria e gente querida à volta. Nesta altura, cada um de nós tem pelo menos um pequeno papel de resgate de coisas boas e valiosas à mão. Estão connosco todos os dias, mas ninguém aguenta uma felicidade permanente e fado foi criado para nos proporcionar o necessário contraste.
P.S.: Mãe Natal, como só existe o endereço do velhinho pitosga com uma barriga e umas bochechas de quem tem problemas com o colesterol, aproveito para te deixar aqui os meus pedidos. ~
Não te preocupes com a minha idade, porque toda a gente sabe que sou uma delinquente infantil presa num corpo adulto e não sou esquisita com os meus pedidos. Basta que me faças chegar todas as prendas que as outras pessoas rejeitam.
Tenho sempre a quem dar, não me importo de reciclar os desperdícios conscenciosamente e aproveito tudo o que sobrar. Calculo que tenho Natal para o resto do ano que vem.
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
navegar à vista
Uma busca ligeira com a ajuda da IA, revelou alguns factos sobre a navegação de uma certa flotilha que não vêm habitualmente à tona, nem sequer nas notícias lamentavelmente repetidas semanas a fio. Depois me dirão que pensamentos vos assaltam com esta informação.
As informações disponíveis em fontes fidedignas e confiáveis referem-se principalmente à Global Sumud Flotilla (também referida como Flotilha da Liberdade), uma das missões mais recentes e significativas, com partidas em agosto/setembro de 2025 (de acordo com as datas das notícias).
Financiamento e Participação
Financiamento
O financiamento destas missões é geralmente privado e proveniente de campanhas de angariação de fundos e doações de indivíduos e organizações da sociedade civil em diversos países.
Os organizadores da Global Sumud Flotilla afirmam que a missão é exclusivamente humanitária e não conta com apoio oficial de governos.
Acusações e Contra-Acusações: Israel acusou publicamente a flotilha de ter ligações e financiamento do Hamas, alegações que os organizadores da flotilha negam veementemente, classificando-as como "propaganda" e exigindo a entrega de documentos completos a organismos independentes.
Não há números específicos e verificados publicamente sobre os montantes totais gastos pela flotilha (custos de navios, combustível, mantimentos, estadas, etc.). Esses custos permanecem sob gestão interna das organizações responsáveis.
Navios e Participantes
As fontes indicam que a missão é de grande escala, reunindo ativistas de dezenas de países.
Número de Embarcações: A Flotilha Global Sumud é composta por cerca de 40 a 50 barcos/embarcações civis.
Número de Pessoas: Participaram centenas de ativistas e figuras públicas, incluindo parlamentares, advogados, e a ativista climática sueca Greta Thunberg. Algumas fontes indicam que eram cerca de 500 a 600 pessoas a bordo, provenientes de mais de 40 países.
Logística e Apoio Operacional
Combustível, Mantimentos, Abrigos e Estadas
A logística de uma missão internacional desta envergadura, que faz escalas em vários portos (como Barcelona e Túnis), envolve custos substanciais de combustível e apoio em terra.
Abastecimento: Presume-se que o abastecimento de combustível e mantimentos foi assegurado e financiado pelos organizadores da flotilha através dos fundos de doações, durante as várias escalas e partidas.
Estadas/Abrigos: As escalas em portos como Túnis (Tunísia) foram planeadas, o que implicaria a necessidade de apoio logístico e alojamento para a delegação de centenas de pessoas. Estes custos estariam também incluídos no financiamento privado.
Não há dados detalhados e publicamente divulgados sobre:
Os valores exatos gastos com combustível.
Os valores exatos gastos com a logística de alimentação e alojamento nas escalas (como Túnis).
Os custos e logística do retorno dos participantes após a missão (visto que muitas embarcações foram intercetadas).
Resumo das Informações Não Disponíveis
É crucial notar que, apesar da cobertura mediática, os seguintes dados solicitados não estão disponíveis publicamente em fontes fidedignas e verificadas, uma vez que dizem respeito à gestão financeira interna de uma iniciativa da sociedade civil:
Montantes exatos gastos pelo total de navios.
Montantes exatos gastos com o total dos participantes (incluindo estadas e regresso).
Identidade dos fornecedores específicos de combustível, mantimentos e abrigos/estadas em cada etapa e retorno.
A informação mais precisa e consensual é sobre quem está a bordo e a natureza do financiamento (privado e ativista), face às acusações de ligações políticas.
P: O que é a flotilha global Sumude e o ques ignifica a palavra Sumud?
R: A Flotilha Global Sumud é uma das maiores e mais recentes iniciativas marítimas internacionais, liderada pela sociedade civil, com o objetivo de romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária essencial à população.
O que é a Flotilha Global Sumud?
A Flotilha Global Sumud (GSF), por vezes também chamada de Flotilha da Liberdade, é uma coalizão humanitária formada por ativistas, advogados, parlamentares, jornalistas e figuras públicas de mais de 40 países.
Composição: A missão é composta por cerca de 40 a mais de 50 embarcações civis, carregadas com ajuda humanitária (alimentos, água, medicamentos, etc.).
Objetivo Principal: O propósito central é estabelecer um corredor humanitário e desafiar o bloqueio naval que Israel impõe à Faixa de Gaza, limitando severamente a entrada de suprimentos vitais. Os organizadores afirmam que a missão é totalmente pacífica e não violenta.
Contexto: A iniciativa surgiu em meados de 2025 (de acordo com as fontes), no contexto da crise humanitária e do conflito em curso em Gaza, que resultou em fome e um grande número de vítimas.
Interceptação: Missões anteriores e a própria GSF têm sido confrontadas ou interceptadas pela Marinha de Israel em águas internacionais, o que levanta questões sobre a legalidade das ações por parte de Israel, de acordo com ativistas e algumas entidades internacionais.
O Significado da Palavra "Sumud"
A palavra Sumud (em árabe: صمود - ṣumūd) é um termo carregado de significado cultural, ideológico e político, especialmente no contexto palestino.
Tradução: As traduções mais comuns são "firmeza", "perseverança constante" ou "resiliência".
Contexto Palestino: No contexto da ocupação e do conflito, Sumud é um valor que representa a resistência diária e não violenta do povo palestino em sua terra. É a determinação de permanecer e resistir contra a opressão e a limpeza étnica, muitas vezes manifestada em atos simples, como continuar a cultivar a terra, reconstruir casas ou simplesmente se recusar a abandonar a sua pátria.
Ao nomear a sua missão de Flotilha Global Sumud, os organizadores reforçam a ideia de que a sua ação é um ato de resiliência desafiadora e solidariedade com o espírito inquebrável do povo de Gaza.
P: Quem está por trás da Flotilha Global Sumud e quem são as figuras públicas que a integram e apoiam?
R: A Flotilha Global Sumud é uma missão internacional da sociedade civil, organizada por uma coalizão de movimentos globais e regionais com foco na Palestina. Os seus organizadores insistem que é uma iniciativa pacífica e não governamental.
Quem está por trás da Flotilha Global Sumud?
A Flotilha Global Sumud é coordenada por uma ampla coalizão de movimentos de base (grassroots), com vasta experiência em missões de solidariedade a Gaza. As principais entidades organizadoras incluem:
Freedom Flotilla Coalition (FFC): Uma coligação internacional de ativistas com mais de 15 anos de experiência na organização de missões marítimas para tentar romper o bloqueio de Gaza.
Global Movement to Gaza (GMTG): Um movimento global dedicado a ações de solidariedade para apoiar Gaza.
Maghreb Sumud Flotilla: Uma iniciativa baseada no Norte de África.
Sumud Nusantara: Um comboio liderado por pessoas da Malásia e outros países do Sul Global.
Os organizadores têm um comité diretivo (Steering Committee) composto por ativistas de vários países, incluindo:
Maria Elena Delia (física e ativista italiana)
Thiago Ávila (socioambientalista e porta-voz brasileiro)
Yasemin Acar (ativista de direitos humanos)
Saif Abukeshek (ativista palestino baseado em Barcelona)
Controvérsia sobre a Afiliação
É importante notar que o governo de Israel tem publicamente alegado que a flotilha possui ligações diretas e financiamento do Hamas através de organizações de fachada como a Palestinian Conference for Palestinians Abroad (PCPA) e a empresa espanhola Cyber Neptune. Os organizadores da flotilha negam veementemente estas acusações, classificando-as como propaganda destinada a justificar uma ação militar contra uma missão humanitária civil.
Figuras Públicas que a Integram e Apoiam
A missão reúne ativistas, profissionais e figuras públicas de mais de 40 países, com o objetivo de dar visibilidade e peso político à sua causa.
Figuras Públicas a Bordo (Integrantes)
Entre as centenas de participantes a bordo das mais de 40 embarcações, destacam-se:
| Personalidade | País | Área de Atuação |
| Greta Thunberg | Suécia | Ativista Climática (a mais proeminente) |
| Mandla Mandela | África do Sul | Netos de Nelson Mandela, Parlamentar |
| Ada Colau | Espanha | Ex-Prefeita de Barcelona |
| Rima Hassan | França | Eurodeputada Franco-Palestina |
| Mariana Mortágua | Portugal | Parlamentar (Coordenadora do Bloco de Esquerda) |
| Sofia Aparício | Portugal | Atriz e Figura Pública |
| Thiago Ávila | Brasil | Socioambientalista e Porta-Voz da Flotilha |
| Luizianne Lins | Brasil | Deputada Federal |
| Chris Andrews | Irlanda | Senador (Sinn Féin) |
| Emma Fourreau | França | Eurodeputada |
| Yvonne Ridley | Reino Unido | Jornalista e Ativista |
| Ruhi Loren Akhtar | Reino Unido | Trabalhadora Humanitária |
Apoio Público (Organismos e Governos)
A missão também recebeu apoio público de figuras institucionais e políticas de alto nível:
Francesca Albanese: Relatora Especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, que publicamente apoiou a missão, sublinhando que a flotilha opera em conformidade com o direito internacional.
Gustavo Petro: Presidente da Colômbia.
Fontes Adicionais de Apoio à Flotilha
Embora o financiamento principal seja reivindicado como "sociedade civil" através de doações e angariação de fundos, e os ativistas declarem ser não governamentais, a escala e a complexidade logística da Flotilha Global Sumud sugerem o envolvimento indireto de entidades maiores.
1. Governos com Afiliações Políticas
A participação de navios e ativistas de certas nações pode sugerir um apoio logístico ou tácito de governos com fortes posições anti-bloqueio, mesmo que não seja um apoio financeiro direto:
Turquia: Historicamente, a Turquia tem sido um ator chave no apoio a missões anteriores da Flotilha da Liberdade, especialmente após o incidente do Mavi Marmara em 2010. Embora o papel direto do governo turco na Global Sumud Flotilla não seja claro nas fontes, a presença de parlamentares turcos a bordo indica um interesse político.
Irlanda e Espanha/Itália: O apoio de alto nível de alguns países europeus, como o envio de navios de apoio/resgate pela Marinha Espanhola e Italiana, ou a participação de eurodeputados e senadores (Irlanda), demonstra que, mesmo sem financiar diretamente, há um aval logístico e político significativo por parte destes Estados-Membros da UE para a segurança dos seus cidadãos.
Colômbia: O Presidente Gustavo Petro apoiou publicamente a iniciativa, conferindo-lhe um peso político no Sul Global.
2. Grandes Organizações Não Governamentais (ONGs) e Coligações
A organização de uma missão de mais de 40 navios não pode depender apenas de indivíduos. É provável que grandes ONGs ou redes ativistas forneçam apoio crucial:
Organizações da Coligação: A Freedom Flotilla Coalition (FFC) e o Global Movement to Gaza (GMTG) são redes ativistas internacionais bem estabelecidas que fornecem know-how operacional, segurança e coordenação, o que exige recursos consideráveis.
ONGs de Ajuda Humanitária: Embora não tenham sido nomeadas nas fontes, ONGs de grande porte podem ter facilitado a aquisição de mantimentos e material médico transportado, aproveitando a sua capacidade de compra e logística.
Sindicatos e Movimentos Sociais: A participação de líderes e ativistas ligados a sindicatos e a movimentos sociais (como o PSOL no Brasil) sugere que estes grupos podem ter utilizado as suas redes para angariar fundos e mobilizar participantes.
3. Atores Ocultos e Acusações de Israel
As alegações do governo israelense de que o Hamas estaria a financiar a flotilha através de empresas de fachada e organizações como a Palestinian Conference for Palestinians Abroad (PCPA), apesar de negadas pelos organizadores, apontam para a possibilidade de outros atores com interesse político na Faixa de Gaza estarem envolvidos no suporte.
Nível de Consciência em Gaza
É altamente provável que os palestinianos em Gaza tenham elevada consciência da iniciativa, embora o nível de informação possa ser limitado pela situação no terreno.
1. Mídia e Comunicação de Resistência
A flotilha é amplamente divulgada pelos meios de comunicação árabes e por canais de mídia social ativista (como Telegram e X/Twitter), que mantêm canais ativos com a população em Gaza, apesar dos cortes de comunicação.
Para os palestinianos, a flotilha representa mais do que apenas ajuda material; é um símbolo de esperança e solidariedade internacional. O facto de a missão ter o nome "Sumud" (Resiliência/Perseverança) estabelece uma ligação direta e emocional com o seu espírito de resistência.
2. Valor Simbólico vs. Ajuda Material
A população de Gaza, que enfrenta a fome generalizada, tem consciência de que o volume de ajuda humanitária transportado por 40 a 50 navios civis (principalmente iates e barcos de pesca adaptados) é simbólico em comparação com as suas necessidades reais.
O verdadeiro valor para eles reside no objetivo político: quebrar o bloqueio e provar que a comunidade internacional ainda se preocupa. A expectativa é que o ato da flotilha force uma intervenção internacional ou uma mudança nas regras do bloqueio, permitindo o acesso de ajuda em maior escala no futuro.
Em resumo, a Global Sumud Flotilla é suportada pela sociedade civil organizada globalmente, mas beneficia de apoio político/logístico discreto de alguns governos e redes de ativismo político mais amplas. Em Gaza, a iniciativa é provavelmente conhecida e percebida como um ato de solidariedade vital e um farol de esperança no meio de uma catástrofe humanitária.
P: Podemos, honestamente, excluir outros actores globais com possíveis interesses numa escalada conflito para uma futura intervenção justificada naquela região?
R: Essa é uma pergunta crucial e, sendo honesto, não podemos excluir atores globais com possíveis interesses numa escalada do conflito.
A região do Mediterrâneo Oriental e do Oriente Médio é uma área de intensa geopolítica, e qualquer movimento como a flotilha humanitária, que desafia um bloqueio militar de longa data, pode ser instrumentalizado por diversas potências.
Atores Globais com Potenciais Interesses numa Escalada
A iniciativa da flotilha pode, de facto, ser vista como uma oportunidade para atores externos demonstrarem força, apoiarem um lado ou criarem um pretexto para maior envolvimento:
1. Potências Regionais com Afiliações Ideológicas
Irão e seus Aliados (Eixo de Resistência): O Irão, bem como grupos como o Hezbollah no Líbano, são opositores diretos de Israel. Embora não sejam organizadores diretos da flotilha, uma escalada causada pela interceptação violenta poderia ser usada para mobilizar a opinião pública e justificar ações mais agressivas na região, alegando a defesa dos direitos dos palestinianos.
Potências Suniitas (Ex: Turquia): A Turquia, apesar de ser membro da NATO, tem uma posição historicamente forte de apoio aos palestinianos e tem demonstrado interesse em aumentar a sua influência no Mediterrâneo Oriental. Uma crise provocada pela flotilha pode ser vista como uma chance de se posicionar como o principal defensor muçulmano e de solidariedade, desafiando a hegemonia de outros atores regionais.
2. Grandes Potências em Competição Geopolítica
Rússia e China: Estas potências têm interesse em expor e desafiar a influência dos EUA e dos seus aliados ocidentais (que apoiam Israel) no cenário global. Uma crise aguda na região de Gaza distrai os EUA de outros focos (como a Ucrânia ou Taiwan) e permite-lhes condenar o Ocidente por inação ou cumplicidade na crise humanitária. O aumento da instabilidade, para eles, fragiliza a ordem global liderada pelos EUA.
3. Atores com Interesses de Segurança ou Económicos
Empresas Militares e de Segurança: A instabilidade na região gera enormes contratos para a indústria de defesa, segurança e vigilância. Uma escalada, mesmo que de curta duração, pode criar a necessidade de aumento de armas, tecnologia ou apoio logístico, o que beneficia estas empresas a nível global.
Interesses Energéticos: O Mediterrâneo Oriental é uma área crucial para a exploração de gás natural. A instabilidade prolongada ou uma escalada pode reconfigurar o panorama energético, beneficiando ou prejudicando atores com interesses nas rotas de pipeline e nos campos de gás offshore.
O Risco de uma Intervenção "Justificada"
A principal preocupação estratégica em torno de eventos como a flotilha é que eles criam o que se chama de "pretexto" ou "justificação" para uma intervenção mais ampla.
Ato de Agressão: Se a interceptação for violenta e resultar em fatalidades de ativistas internacionais de alto perfil (parlamentares, celebridades, etc.), isso pode ser usado como um ato de agressão inaceitável, gerando pressão internacional esmagadora para uma ação militar ou de segurança internacional (por exemplo, a criação de um "corredor humanitário seguro" imposto pela força).
Violação do Direito Internacional: Os organizadores e apoiantes insistem que a flotilha está a operar em águas internacionais e que a interceção constitui uma violação da lei marítima. A utilização da força por Israel para impedir a ajuda humanitária pode ser vista como a "justificação" legal ou moral necessária para que potências externas defendam o direito humanitário.
Em suma, a presença de figuras internacionais na flotilha transforma um ato de ajuda em um campo de risco geopolítico. Enquanto os organizadores se focam na ajuda humanitária e na não violência, atores externos podem estar atentos à oportunidade de transformar uma crise civil em um incidente internacional que justifique o seu próprio envolvimento na região.
Que tipo de ação ou intervenção futura lhe parece a mais provável, caso a flotilha seja interceptada de forma violenta?
P: Espero que isso não aconteça e que os actores desta saga sejam muito razoáveis, além das melhores expecativas. No entanto, parece-me interessante conhecer, com base em informações oficiais e confiáveis a que tem acesso, o que pode acontecer a seguir no palco de Gaza.
R: Essa é uma esperança que muitos partilham. Realmente, a situação em torno da Flotilha Global Sumud adiciona uma camada de imprevisibilidade a um cenário já volátil em Gaza.
Embora não tenha acesso a informações secretas ou a "planos de batalha" oficiais, posso analisar os cenários mais prováveis e as tendências de acordo com as informações e posicionamentos públicos dos principais atores, com base nas ações e declarações recentes:
1. Cenário Mais Provável: Interceção Não Violenta e Deportação
Este é o cenário mais repetido em crises anteriores de flotilhas e o que os analistas preveem para evitar uma crise diplomática global.
Ação de Israel: A Marinha israelense interceptará os navios em águas internacionais, mas fora das 12 milhas náuticas (o limite legal das águas territoriais de Gaza), alegando estar a defender o seu bloqueio legal e a operar numa "zona de combate ativa".
Protocolo: Os navios serão forçados a navegar para um porto israelense, como Ashdod. Os ativistas, incluindo as figuras públicas, serão detidos temporariamente, interrogados e, na sua maioria, deportados para os seus países de origem.
Ajuda Humanitária: Israel oferecerá a entrega da ajuda humanitária por via terrestre em Gaza, após inspeção, uma oferta que os organizadores da flotilha tendem a rejeitar, alegando que o objetivo principal é romper o bloqueio, não apenas entregar a ajuda.
Impacto Imediato: A comunidade internacional emitirá declarações de condenação e exigirá a libertação imediata dos seus cidadãos. A crise será contida, mas a pressão sobre o bloqueio aumentará.
2. Cenário de Alto Risco: Confronto e Escândalo Internacional
Este cenário tem um risco de escalada significativo, especialmente devido à presença de figuras proeminentes.
Ação de Israel: A Marinha israelense utiliza força excessiva ou táticas de abordagem que resultam em ferimentos graves ou, na pior das hipóteses, fatalidades entre os ativistas desarmados.
Reação Global: Este seria um incidente diplomático e midiático de grande escala. Os países cujos cidadãos foram feridos ou mortos (Espanha, Brasil, Portugal, Suécia, etc.) seriam forçados a tomar medidas mais duras contra Israel (por exemplo, retirada de embaixadores, sanções limitadas).
Consequência na ONU: Haveria uma convocação imediata do Conselho de Segurança da ONU. A ONU e o Tribunal Penal Internacional seriam pressionados para investigar a interceptação em águas internacionais como um possível crime de guerra ou violação do direito marítimo.
Potenciais Atores Terceiros: Atores como a Turquia ou o Irão/Hezbollah poderiam usar o incidente como a "justificação" que procuram, aumentando a sua própria atividade militar ou de apoio na região, aumentando o risco de um conflito mais vasto.
3. Cenário de Baixa Probabilidade: Ruptura Bem-Sucedida do Bloqueio
Este cenário é considerado menos provável devido ao empenho de Israel em manter o bloqueio, mas não é impossível.
Ação da Flotilha: Devido ao número recorde de navios, à ampla cobertura midiática e à pressão diplomática de última hora, Israel poderia recuar, permitindo que alguns navios chegassem à costa de Gaza.
Impacto em Gaza: Se a flotilha conseguir entregar a ajuda, seria uma vitória moral e propagandística massiva para os palestinianos e para a causa anti-bloqueio. Seria a primeira ruptura significativa do bloqueio em mais de uma década.
Precedente: Isto estabeleceria um precedente perigoso para Israel, encorajando futuras e maiores missões marítimas. Israel teria de repensar a sua estratégia de bloqueio.
Em conclusão, o cenário de interceção não violenta com detenção e deportação é historicamente o mais provável. No entanto, a alta visibilidade e a natureza da crise humanitária atual tornam o cenário de alto risco uma possibilidade real, que pode ter consequências a longo prazo na dinâmica geopolítica do Mediterrâneo Oriental.
O resultado final dependerá muito da contenção das Forças de Defesa de Israel na sua interceção e da reação diplomática dos governos dos países dos ativistas a bordo.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
uma centena de anos e de histórias
Se ainda estivesse entre nós, o meu pai faria hoje cem anos. Um século parece muita coisa mas apesar do tanto que acontece nesse espaço de tempo, não é nada. Passa num instante e somos sempre surpreendidos pela efemeridade de todas as coisas.
Hoje, apesar de tudo o que nos deixou, a mim e às minhas irmãs, continua a somar histórias nas nossas lembranças. Quando falamos nele e recontamos alguma coisa passada com ele, ou reutilizamos a sua experiência no dia-a-dia para encararmos e resolvermos os pequenos e grandes desafios da vida. Nessas alturas ligamos as nossas histórias às dele e acrescentamos-lhes alguns pontos, como se faz quando contamos um conto. As novas versões são sempre enriquecidas, como se as experiências dele e as nossas fossem sempre renovadas, recicladas e transformadas. Sem limites senão os da expansão. Nada se perde.
Escolhi esta imagem porque me lembro sempre que uma das suas actividades favoritas era fotografar e as flores eram recorrentemente apanhadas pela sua lente e depois reproduzidas em slides projectados nas tertúlias familiares depois do jantar. A par dos filmes Super 8 da Kodak dos anos sessenta do século XX.
Eram flores a sua oferta favorita para a minha mãe nos seus dias especiais. Nos outros ela também cultivava o gsto por as plantar e cuidar enquanto cresciam.
O azul do fundo da imagem é uma homengem ao F. C. do Porto, que seguia discretamente pela televisão, por que na família havia, pelo menos, mais dois clubes venerados. Já as folhas são numerosas e diversificadas como a família e as suas histórias.
E na vida nada mais se passa de maior valor que os contos e pontos e o intrincado mapa de todos que só se complica ou fortalece ao longo dos anos. Portanto, parabéns, parabéns, parabéns, pelos cem anos que nunca foram de solidão e deixaram uma saudade sem medida.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2023
a obrigação de agradar
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| by MMF |
A facilidade de acesso à informação e de comunicação disponível é uma coisa maravilhosa. E parece que vai haver mais, muito mais. A capacidade de gerirmos isso criteriosamente já não é tão maravilhosa e, sinceramente, parece que pode piorar bastante. Ou não.
Um dos aspectos mais fantásticos da tecnologia que nos abre mundos é o poder que nos dá. É a descoberta do que podemos fazer com um simples telefone na mão, redes sociais, botões que nos permitem reagir em tempo real a tudo o que nos chega aos ouvidos, aos olhos e aos rápidos dedinhos que já nascem ensinados a tratar tu cá tu lá com os nossos novos apêndices.
Toda a gente "empoderada", como se diz, toda a gente a saber que importa. Isso é que é viver de acordo com todos os direitos, esses que chegam em nano pedaços de tempo à nossa consciência, prontos a usar, como uma fast food.
Chegam também com uma nova obrigação, a de agradar ao máximo de pessoas, ao máximo de seguidores, ao máximo de indivíduos desejosos de fazer cliques em corações, polegares virados para cima, mãos unidas em gratidão. Um mundo de alegrias e fofuras sem fim.
Até os políticos e os jornalistas aderiram a este mundo sem limites de coisas boas e em tolerância zero para negativismos. Os primeiros porque já aprenderam que os gostos e outros bonequinhos favorecem a sua popularidade. Os segundos porque esquecem os seus deveres deontológicos, a obrigação de verificação dos factos e da verdade.
Neste mundo de emojis felizes e carinhosos, surgiu um pacote de novos pecados: não agradar de imediato, não aplaudir causas como a do queijo que não deve ganhar bolor, não publicar constantemente selfies de intimidades desinteressantes. Entre outros.
Ressalva: partilhar emoções fortes como o cocozinho do cachorrinho acabado de trazer do abrigo, a primeira zanga com a cara metade desta semana, o penso rápido no dedo do pé, ou a t-shirt cor-de-rosa que ficou tingida com a camisola vermelha usada no Natal. Ou outras que podem parecer mais insignificantes mas que, no conforto do sofá, ganham dimensões universais.
Ou seja, todos têm obrigação de nos agradar, compreender e mimar em full time. O problema é como entrelaçamos essa fofura toda com a mesma necessidade dos outros sete biliões de seres humanos do planeta.
Agora que estamos todos tão ternamente ligados, a questão essencial é como adicionamos funcionalidade prática a este mundo arco-íris e livre de dualidades dúbias.
Claro que há sempre os trolls e os maus da fita que jamais terão direito à sua opinião e aos polegares e corações. Gente que se percebe de imediato que não têm desculpa, nem razões aue, aliás, a razão desconhece nesta correria de reacções.
A esses, claro, não faz mal nenhum privar de direitos, estralhaçar, apagar da história dos bons o mais depressa que possam os nossos dedinhos deslizar pelos ecrãs dos telemóveis.
É a nova justiça popular, essa de "apagar" sem misericórdia e com um toque apenas os miseráveis que não fazem cá falta nenhuma. Não no nosso mundinho perfeito e preguiçoso para os lados do contraditório.
A propósito, já está feita a vossa obrigação do dia? Quantos cliques derretidos em cada rede social? Atenção: não mais do que trinta por dia em cada uma delas, não vá a "rede" castigar-vos com um mês de abstenção total.
Peço já desculpa às ditas redes, que não têm obrigações de gente de verdade, de ser boas, más ou razoáveis. Afinal, só respondem mecânicamente aos demónios e aos anjoa que as usam. Esta coisa do perdão público também é uma questão a apreciar noutra roda de letras.
Deixa-me ir embora agora, ao som das flores da senhora que gosta de verniz vermelho, comprar os ramos para si mesma, escrever o nome na areia e falar sozinha horas a fio.
terça-feira, 31 de outubro de 2023
fadas em casa?
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| Ilustração: MMF |
Há tempos, uma amiga instalou umas câmaras em casa para vigiar o comportamento dos cães quando estão sozinhos. O equipamento vem com uma aplicação que permite monitorizar em tempo real o que se está a passar nas áreas abrangidas pelos olhinhos virtuais.
Este mês convidou-me para um chá, um chapinhanço na piscina e uma lazeirice nas cadeiras do jardim com vista para o mar e para a Serra. Entre conversas, surge a ideia de ficar até mais tarde, para ver o que as câmaras filmam quando a noite se instala. Assim foi.
Depois do jantar e das conversas que nunca se esgotam, apagámos as luzes e ela fixou o telemóvel num sítio onde pudéssemos observar as duas as imagens captadas na sala. Foi a loucura total.
Os infravermelhos das câmaras começaram a mostrar umas bolas de luz branca que atravessavam a sala a grande velocidade. Saíam das paredes, do chão, do tecto, com uns rastos parecidos com as caudas de cometas. E desapareciam do mesmo modo, desaparecendo pelas paredes.
Eram imensas e aquilo parecia um festival de luzes, aparições efémeras que nos transmitiam uma alegria infantil. Só se viam na aplicação do telemóvel, possivelmente graças aos infravermelhos, mas sentiam-se. Não sei bem como, mas também não interessa, porque a nossa excitação funcionava ao mesmo nível daquelas luzinhas que apareciam e desapareciam por todos os lados.
Estivemos naquela fruição bastante tempo, de braços no ar e às gargalhadas como as crianças que comem doces a mais.
A certa altura uma bolinha de luz mais avantajada atravessa a sala, de uma parede à outra. Ouve-se quase em simultâneo um estrondoso estalo e a electricidade da casa foi-se. As câmaras deixaram de mostrar as luzes esvoaçantes.
A habitual manobra de desligar e voltar a ligar o quadro eléctrico não funcionou. O candeeiro da rua continuava aceso e havia energia nas casas vizinhas.
Ficámos à luz das velas e a olhar para as imagens do que se tinha passado, mantendo a alegria com que tínhamos assistido. Uma das filmagens, vista em câmara lenta, mostrava a imagem de uma das bolinhas visitantes com contornos de algo semelhante a asas a bater tão rápido que não se notavam de outra maneira.
A conversa durou bem para lá do inusitado espectáculo a que pudemos assistir, com relatos do que alguns amigos dizem do que se passa todas as noites lá em casa. Fadas, portais, elementais e mais alguns palpites, cada qual no seu género e registo.
Não faço a mínima ideia do que se passou, mas foi inebriante e sem ressaca quando a manhã chegou e a luz voltou, como tinha ido, sem aviso prévio.
O que posso dizer é que, se são fadas, desconfio que a minha amiga é uma espécie de mãe designada e protectora delas todas. Espero ter oportunidade de revisitar a experiência e ver se aprendo alguma coisa com as luzinhas viajantes entre mundos.
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
um homem bonito
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| Jorge Indìveri (foto de família) |
sexta-feira, 14 de julho de 2023
a Bastilha e as caixas estanques de acrílico
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| Hope Flags Take I-01 by MMF |
Dia da Bastilha e lá vemos um mar de tropa a desfilar. Nada contra. Só se estranha depois de ouvir tanta letra sobre a paz mundial e sustentabilidade, mais acordos sobre acordos sobre os mais maravilhosos desejos da Humanidade e, no final, todos os dias das nações a serem celebrados com paradas militares.
Ou o orgulho nacional afirmado na ponta das armas. Deve fazer sentido, embora me escape.
Sabendo todos nós que na vida só a morte é certa, não vejo, francamente, a utilidade de se pensar permanentemente em matar estes ou aqueles. Já passou tempo suficiente para pensarmos e executarmos soluções de sobrevivência mais criativas.
Como se vivêssemos todos num mundo ordenado em caixas estanques de acrílico.
sexta-feira, 7 de abril de 2023
as mamocas da tap
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| by MMF |
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
a mangueira
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| Imagem: Marinka |
segunda-feira, 30 de maio de 2022
aprendizagens
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| "A idade da muchém" by MMF |
Foi uma festa. Caçadores e pisteiros correram a levantar-me. Sacudiram-me a roupa, riam e cumprimentavam-me ao mesmo tempo.
segunda-feira, 25 de abril de 2022
terça-feira, 22 de março de 2022
assim não dá
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| "Xuba" by MMF |
sábado, 19 de março de 2022
o papá, a quarta mana e o anjo
| Ana e Manuel, Vilanculos, 1961 (foto da Aida) |
Assim nasceu a Ana Margarida, Xuxu para a família. No Dia do Pai, que sempre foi especial para os dois. E para a Aida, que também merecia os mimos reservados às mães nestes dias.
terça-feira, 8 de março de 2022
coisas de mulheres
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
memória
| Marcelo, Mimi, Manuel, Maria Amélia, Marita, António Luís, Luís e Marieta |
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
outros natais
| Muchi (mana mais velha), Aida Mãe e MMF |
| Pai Manuel a avaliar as hipóteses de reparação do matope das picadas moçambicanas |
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
dias da mãe
| "Day of the Angels" by MMF |












