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domingo, 22 de março de 2026
lines of other worlds
O carinho e o entusiasmo da Maria Morais produziu esta oportunidade de mostrar trabalhos de pequeno formato de uma forma diferente. A Dom Pastor, no Mercado de Campo de Ourique, em Lisboa, é um local especial, de coisas de bom gosto e de gente acolhedora que resolveu acolher os meus riscos e pinceladas. Vão ver e comentem. Como se não houvesse amanhã. Tem de haver urgência neste mundo louco para fruir outras coisas que não as marteladas dos medos de um futuro que ainda não chegou. Quando pego no lápis ou no pincel a criação só depende de mim e da alegria que isso provoca. E gosto definitivamente dessa parte das minhas emoções. O mundo não é acabrunhado só porque sim. É muito mais LINES OF OTHER WORLDS.
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
um homem bonito
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| Jorge Indìveri (foto de família) |
Ontem deixou-nos um amigo de muitas décadas. Um homem bonito, que tive a sorte de conhecer.
Inteligente, generoso, com sentido de humor, que sabia viver com alegria, especialmente quando as circunstâncias pareciam mais negras.
O Jorge era uma dessas pessoas que entra na nossa vida e já não sai. E a sua vida trazia a promessa de muitos mais anos, numa família em que os homens ultrapassam habitualmente os cem. Um século seria ainda pouco para desfrutar da sua companhia e do seu conhecimento.
Quando o visitei pela última vez, falámos do que pretendíamos continuar a fazer nos próximos tempos. O amanhã é garantido, uma promessa para sempre e uma fidelidade que ultrapassa o senso comum. Conhecemos as probabilidades da nossa passagem por este mundo, mas mantemos a sensação de que somos eternos. E, mesmo sabendo o que vai acontecer, nunca estamos preparados para uma perda deste tipo.
Conheci o Jorge há quarenta anos, pela mão de outro amigo querido, o Bruno Pizzamiglio. E uma boa parte da comunidade argentina que se tinha mudado para cá depois de Abril de 1974. Gente com incríveis histórias de vida que esticaram o meu mundo em muitas direcções.
Ao Jorge calhou a tarefa de me tratar de forma não tradicional, numa altura em que a medicina era só a dos hospitais. Três meses e meio de dieta ultra rigorosa mudaram o rumo da minha saúde e da minha vida.
A meio do tratamento, convidou-me para um churrasco argentino que ia contra todas as regras do meu tratamento. Quis saber como conciliava o convite com a dieta que estava a fazer. Não havia problema, segundo ele. Interrompia o tratamento no domingo do churrasco e, na segunda-feira, começava do princípio outra vez. Ainda me lembro da gargalhada de satisfação com que rematou a resposta.
Vou ter muitas saudades tuas, Jorge. E aguardar que o tempo me leve até esse lado e nos devolva a mais uma vida de bom trato e alegrias. Até já.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
liberdade e vacas
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| "jovita, the cow" by Marita Moreno Ferreira |
Descendo um dia de carro pela lisboeta Avenida da Liberdade, ao abrir de um sinal amarelo, parei conscienciosamente e aguardei que o vermelho desse lugar ao verde. A condutora de trás não apreciou a minha escolha e, de rompante, muda de faixa, pára ao meu lado, abre a janela e grita: "Vaca!"
"Onde?" pergunto, girando a cabeça de um lado para o outro à procura do bovino.
A condutora respondeu com murros furiosos na buzina, provavelmente para desimpedir a via do indevido uso pelo animal.
quarta-feira, 13 de junho de 2018
altares e sardinhas
"Santo António de Lisboa, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da literatura e da história. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Bíblia. Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos autores clássicos. Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como Poder, Direito e Justiça". José Antunes (fonte: Wikipédia)
Os milagres deste santo e de outros não se estendem às sardinhas, peixinhos que vão à vida nas brasas dos bairros típicos de Lisboa ou em Cascais, que o elegeu como patrono.
Há umas décadas os peixinhos saltavam das redes para os assadores improvisados junto à praia do peixe, agora elevada à dos banhos do presidente nacional. A festa encaixotou-se em barraquinhas que vendem hot dogs e souvenirs, que duram tanto como os ensurdecedores concertos de verão.
As casinhas dos pescadores também são promovidas a residências pitorescas para alugar à época e a vida segue, sempre com os milagres santificados do progresso imobiliário.
As sardinhas, unidas, são comidas por muitos Antónios e vendidas como símbolos pitorescos do País dos santos populares. À beira-mar a festa é um sunset com cerveja e música pum-pum-pum, no interior chama-se arraial e recebe artistas pimba.
Quem é que precisa de tímidos milagres ao pé do foguetório da propaganda da festa e da alegria, a beber fruta empacotada em bolsinhas de plástico, detergentes que nos envolvem com aromas descritos por apolos depilados que estalam os dedos à máquina da roupa, de carros de ficção à mão de umas quantas prestações e pensos higiénicos que transformam as jovens em artistas de circos psicadélicas?
A vida é uma festa e a ressaca é tramada. As sardinhas vão para o velho altar dos sacrifícios, com grinaldas e balões, cânticos e muitas palmas. Arraial, ó lusa gente...
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