domingo, 10 de abril de 2011

do dia da lua ao dia do sol

A propósito do post abaixo, adoro segundas-feiras, as conversas com alguns amigos acabaram por conduzir ao significado dos nomes dos dias da semana, que correspondem afinal aos seus regentes astrológicos, se possível ordenados como na figura acima, uma estrela de David.
Em português a coisa escapa-nos, pela conversão dos respectivos nomes nos dias de feira. Curioso foi saber que os vizinhos espanhóis, que a dada altura também seguiam o mesmo sistema que nós, depois das invasões napoleónicas voltaram a usar a antiga nomenclatura: lunes, martes, miércoles, jueves, viernes, sabado e domingo.
Segunda será então o Dia da Lua (feminino), terça o de Marte , quarta o de Mercúrio (que rege as comunicações, o comércio e os ladrões, dia tradicional das feiras regionais entre nós), quinta de Júpiter (e da boa fortuna), sexta de Vénus (antigamente, o dia dos homens irem às prostitutas), sábado de Saturno (ou descanso, pausa - em inglês, o Saturn Day que deu origem ao Saturday) e domingo, Dia do Sol.
Portanto, podenos imaginar, com toda a facilidade, reuniões da tupperware e das neodeusas à segunda; declarações de guerra ou o fêquêpê a jogar, às terças; saldos de garagem e comunicações importantes, a par com grandes roubalheiras, à quarta; a quinta como um dia bom para tudo o que requeira sorte; sexta para o enrolanço íntimo; sábado para descansar de todos os excessos; e domingo para o sexo forte confraternizar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

desastre comunicativo



Em tempo de crise, o que levará três empresas como a Sapo, a Sagres e a Super Bock a produzir anúncios como estes, em que o adjetivo machista é obviamente escasso para classificar a pobreza de chavões que afastam pelo menos 50 por cento do público alvo?



Este, da Sagres, além do infeliz machismo, insulta as mulheres, retratando-as como meras figurantes, cuja maior alegria é mostrar as mamas aos rapazinhos bebedores e egocentrados (somos nós...). Ainda por cima, tem como figurantes de "topo" o Figo e o Manzana, que assim entram para a história como quaisquer outras cavalgaduras machistas, capazes de todas as tristes figuras em público para ganhar uns euros.



A Sagres Mini vai ainda mais longe, depois de pôr os rapazinhos aos abraços (como se "eles" andassem para aí no apalpanço público sem medo das consequências), recorrendo ao preconceito das "primas fáceis" para a graçola de fecho do anúncio.



A Super Bock, no seu anúncio de minis a "puxar pela amizade", faz com que os três "meninos" se deixem guiar por garrafas de cerveja que se empinam, assim como qualquer pénis a precisar de desabafar, e corram uns para os outros. Não deixa de ser curioso...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

hostilidade doméstica

Tenho um electrodoméstico hostil em casa, disposto a obrigar-me a tomar duches frios só porque não descubro o istapor do botão de reset do sensor de acumulação de gases. Como é que uma coisa tão importante pode estar camuflada no topo de um electrodoméstico mudo e sem manual de instruções? Isto é mesmo coisa de homens. Se fosse uma mulher a incluir um botão desses,era vermelho berrante e ficava logo à frente do nariz. Assim, vou ter de chamar o vizinho e explicar-lhe que tenho uma crise doméstica a reclamar atenção masculina. Tudo isto porque ainda não vendem caldeiras cor-de-rosa, às flores e com botões de reset em locais de acesso óbvio. Raios partam os electrodomésticos com a mania de que também são machos...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

adoro segundas-feiras

Sei que devia odiar as segundas-feiras, como fazem a maioria das pessoas encerradas nas suas vidas que não talharam à sua medida. Em vez disso, adoro segundas-feiras e aquela implícita noção de que começa tudo outra vez. Por pior que tenha corrido a semana anterior ou o fim-de-semana.
(Devia estar a escrever sem hífens, segundo o contestado acordo ortográfico, mas ainda não me apetece. Acabarei por chegar lá, a força de conveniências várias, mas ainda não me apetece mesmo.)

quinta-feira, 17 de março de 2011

silêncio


Estou no silêncio. Assim como estava escondida por trás das cortinas quando era miúda. É o meu esconderijo, o sítio onde me refugio para retemperar forças e me apaziguar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

manadas em atropelo

Gosto das manhãs de domingo em silêncio, com uma chávena de café ao lado e um livro aberto nas primeiras páginas. O mundo assim é seguro por uns momentos. Resguardado de alturas mais agrestes, em que toda a privacidade nos é retirada.
Sempre tive uma grande tendência para olhar para as fortalezas como ratoeiras prestes a ser engolidas pelo enorme e imprevisível mundo que as rodeia. Não construo, por isso, nenhuma fortaleza em torno de mim. Acho-as inúteis, uma espécie de patéticos trabalhos de Hércules que consomem a nossa energia e não nos devolvem nenhuma espécie de segurança.
Os cavalos de Tróia têm, por isso, livre circulação na minha vida. São, na verdade, manadas selvagens em constantes atropelos para onde quer que me vire. Por mais avisada que esteja sobre a sua existência, sou incapaz de lhes fechar a porta e deitar a chave fora.
A nossa vida está cheia de coisas que não conseguimos controlar. Ondas fantásticas, maremotos, tempestades e derrocadas. Por mais que as temamos, é impossível evitar o fascínio que exercem sobre nós, a tremenda beleza com que nos esmagam.
A minha natureza pertence a este mundo e está entrelaçada nas suas mais violentas correntes. A cada golpe seu sinto também a inescapável identificação. Reconheço-me fatalmente na dor que me provocam.
A minha escolha é, portanto, ignorar a segurança das fortalezas e receber cada ataque até ao limite das minhas possibilidades.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

uma questão de reputação



Uma vez recebi um telefonema bem intencionado, a visar-me do que alguém andaria a dizer sobre mim. Expliquei na altura que não podia, com a minha mão, tapar a boca de quem, aparentemente, me difamava. Por esse motivo, a minha reacção era seguir em frente, aceitando o facto de não poder controlar o efeito que essas coisas têm. Como não tenho o poder de controlar tragédias naturais ou acontecimentos bem para lá da nossa capacidade de previsão.
O efeito que esse diz-que-disse tem nas nossas vidas pode bem ser o de um tremor de terra, de um acidente insuspeitado, de qualquer coisa irremediável. Mas, mais uma vez, pouco ou nenhum controlo temos sobre essas coisas.
A nossa reputação são muitas entidades além de nós, criadas por gente conhecida e desconhecida, histórias debitadas aqui e ali, impressões deixadas acolá.Tudo pontas e meadas que, juntas, são um emaranhado assustador e muitas vezes injustificado.
Que fazer, então? Mobilizar todas as nossas forças contra esse exército de sombras e sussurros anónimos e impossíveis de rastrear? Não me parece sensato.
A minha escolha é, portanto, confiar na capacidade que os outros têm de avaliar por si próprios os meus defeitos e qualidades, sem confiar às cegas nos juízos de valor que já passaram por muitas segundas-mãos até chegar a um receptor que não tem ideia nenhuma do ruído de fundo que já lhes foi adicionado ou subtraído.
Tudo por uma questão de reputação.