Em vez de um quarto cheio de brinquedos - muitos deles feitos por crianças em países em que nem se comemoram direitos nem outras coisas -, este rapazinho moçambicano fez o seu modelo de telemóvel com matope (lama) e usou um pauzinho como antena.
Um brinquedo feito assim, à medida do seu criador, é uma coisa especial. Embora a Europa e a América do Norte celebrem o dia mundial da criança, e haja muitos brinquedos nos quartos de dormir dos mais novos, os pais europeus têm muitíssimo menos tempo de convívio diário com os seus filhos do que os moçambicanos.
Na minha infância, brincávamos fora de casa com os amigos. Hoje, as crianças ficam presas até tarde dentro de casa e só na escola podem socializar e brincar com os outros. É muito difícil fazê-las entender que a escola é um espaço de trabalho, uma vez que não têm outro e, para elas, o recreio é ali.
Perdem-se e ganham-se coisas, quando acrescentamos direitos e brinquedos e perdemos outras qualidades.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
alguma cor
| Foto MMFerreira |
terça-feira, 24 de maio de 2011
chupetas e chocolates
Em inglês chamam-se pacifiers (pacificadores), que vêm mesmo a calhar quando lidamos com bebés. A minha descobriu rapidamente que podia enfiar cinco ou seis na mesma corrente, presa à t-shirt. Não tardou a ser necessária alguma negociação para trocar as chupetas completamente babadas por novas. Mas mal entravam na corrente eram lambidas e sugadas até ficarem tal e qual as outras. Tempos mais tarde, o passo seguinte foi planear uma forma de abandono das chupetas.
Foi assim que descobrimos um facto importante: enterrando uma chupeta num vaso de plantas, no dia sequinte nascia um chocolate no mesmo lugar. Foram necessárias várias tentativas para comprovar a eficácia da experiência. Mas não havia dúvidas. Uma chupeta enterrada dava lugar a um apetitoso chocolate.
Foi fácil chegar a uma solução de compromisso: sempre que estivesse preparada para desistir de uma das suas chupetas, a pequena criatura anunciava que estava pronta para a enterrar. E no dia seguinte "colhia" o chocolate, recompensa mais do que justa para o seu sacrifício.
Em menos de dois meses os vasos de plantas engoliram todas as chupetas-sementes e produziam os chocolates necessários para aplacar o desgosto.
No final, a corrente foi dispensada sem problemas e nunca mais se pensou em pacificadores. Bons tempos, esses de soluções simples e satisfatórias.
Foi assim que descobrimos um facto importante: enterrando uma chupeta num vaso de plantas, no dia sequinte nascia um chocolate no mesmo lugar. Foram necessárias várias tentativas para comprovar a eficácia da experiência. Mas não havia dúvidas. Uma chupeta enterrada dava lugar a um apetitoso chocolate.
Foi fácil chegar a uma solução de compromisso: sempre que estivesse preparada para desistir de uma das suas chupetas, a pequena criatura anunciava que estava pronta para a enterrar. E no dia seguinte "colhia" o chocolate, recompensa mais do que justa para o seu sacrifício.
Em menos de dois meses os vasos de plantas engoliram todas as chupetas-sementes e produziam os chocolates necessários para aplacar o desgosto.
No final, a corrente foi dispensada sem problemas e nunca mais se pensou em pacificadores. Bons tempos, esses de soluções simples e satisfatórias.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
faz diferença
| foto MMFerreira |
terça-feira, 19 de abril de 2011
rios e espelhos
sábado, 16 de abril de 2011
a mão do caos e da ordem
| Foto MMFerreira |
Nascer com algo dentro que lhes permite ver além do óbvio, que lhes revolta as entranhas e dói de uma forma que jamais lhes consente dizer apenas amen, e ser um veículo de uma qualquer força que os obriga a derrubar tudo, usando se necessário o próprio corpo, é um dom ou uma maldição impossível de domar e de manter paredes meias com as convenções.
Qual é a utilidade de um artista que aceita vergar-se à ordenada realidade alheia em vez de, honrando o seu destino, romper o chão como uma lâmina gigante, rasgando tudo à sua passagem? Pois se é exactamente aí que está a justificação da sua existência...
segunda-feira, 11 de abril de 2011
11 de Abril de 1974
| Baía de Inhambane (Foto: MMFerreira) |
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