segunda-feira, 10 de agosto de 2015

verdadeiro poder


Imagem daqui
Quando pensamos em poder, a imagem que nos ocorre de imediato é a de força, de qualquer coisa física potencialmente avassaladora e, se possível, até cerramos as mãos e retesamos os músculos, no nosso aprendido hábito de resolver tudo pela potência física, pela reacção que acreditamos capaz de derrubar todos os obstáculos, pela nossa crença orgulhosa em que podemos e devemos resistir até à última gota das nossas possibilidades.
O verdadeiro poder, no entanto, não está nos limites da força física que, por definição, têm um fim jurado assim que outras forças maiores se manifestam.
A subtileza, o que erroneamente não julgamos como força, é o poder autêntico. Quando nos afastamos da manifestação da força e do físico, quando entendemos que a fluidez contorna todos os obstáculos, e compreendemos que a força e o poder vêm da harmonia e do não engajamento na reacção, que nos toma tempo e energia esgotáveis, aí estamos a apontar na direcção certa.
Ficar livre para descobrir os caminhos de menor esforço, que unem em vez de desunir pela competição, é um passo inteligente para praticar a verdadeira força, o verdadeiro poder.
Se não mudarmos os nossos hábitos limitativos para a visão correcta, os triunfos serão sempre limitados e inconstantes. As consequências imprevisíveis pelos resultados que nos frustram, de tão afastados da verdade e do desejável.
O verdadeiro poder reside na capacidade de nos orientarmos pela leveza, pelo que é naturalmente fácil e compensador. É um ganho mental e, portanto, não sujeito às vicissitudes de um mundo físico moldado por ideias redutoras e geradoras de esforços que jamais sentimos compensadores.
Por isso nos confrontamos agora com um mundo caótico, regido por leis que não seguem a subtileza criativa. E, no entanto, privado da emoção que nos guia na direcção certa ou errada, o universo é criativo e acompanha com fidelidade o nosso constante desejo de evolução. Assim, obedece cegamente à nossa errónea noção de poder, esmagando pela força tudo o que se materializa.
Mais do mesmo e não o paraíso que desejamos, visto que o investido se resume às limitações da força bruta em que preferimos acreditar, em vez de exercermos a subtileza da inteligência e da fé no que decorre facilmente de não passar a vida a tentar derrubar montanhas usando a matéria em que são pródigas e superiores.
Há um outro mundo além da montanha, que não se atinge nem sequer com a força de explosivos ou outros engenhos similares. Apenas porque não são subtis, nem necessários. O mundo além da montanha atinge-se com inteligência e vontade de ver as coisas de outra forma, de desistir do orgulho que nos impede de partilhar com os outros o que é de todos, o que nunca deixou de ser propriedade universal.
Em algum ponto do nosso percurso perdemos esse bom senso vital que nos permite viver em paz, sem o medo constante da perda, sem a fé de que temos sempre tudo aquilo de que necessitamos, para respirar, fruir e aumentar todas as nossas experiências.
Que poder têm os outros sobre nós nessas circunstâncias? Onde está então o verdadeiro poder?





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

o assédio e a outra maneira de ver

imagem daqui

O assédio, ou o medo em todas as suas versões (incluindo a da raiva e a da reacção não assertiva), tornou-se o valor-guia de todas as interacções. Mesmo buscando desesperadamente por alguma coisa diferente, pouca gente se lembra da gentileza e do seu poder, de que a partilha é um acto de amor e que a sua prática o dissemina. Afinal, ovelha mansa mama do seu e do alheio.
Há outra maneira de ver as coisas, é possível sentir e agir de forma diferente. Mas quanto é que estamos dispostos a investir nisso e desistir das vinganças, das razões do nosso umbigo, do orgulho e da teimosia para apostar na tranquilidade e na boa relação com tudo e todos?
Trabalho de buda, de santo, dirão. Mas é uma escolha, se não suportamos mais o conflito e as suas devastadoras consequências na nossa vida. 
Achar que ainda aguentamos, que temos de aguentar, quando tudo já se desmoronou à nossa volta, quando já somos incapazes de olhar em volta com uma centelha mínima de esperança, é suicídio, não coragem.
A bravura está aqui em desistir do sistema louco e caótico que nos impõem e permitir que outros valores, que outras ideias tomem o lugar das que nos enlouquecem. 
Somos capazes disso? Estamos suficientemente esgotados para permitir finalmente que uma sensação de alívio nos preencha e dê os primeiros passos para restabelecer a paz dentro de nós? Queremos realmente isso?
Acho que queremos. Apenas não sabemos ainda como. Há que fazer a pergunta. Abrir a janela e gritar: como é que faço, como é que me livro deste sistema de pensamento que me sufoca? 
Tem de haver outra maneira de ver as coisas. E há.






sexta-feira, 31 de julho de 2015

o sufoco das ideias feitas

Remendos -- by MMF
Neutro (do latim neuter, neutra, neutrum = "nem um, nem outro: símbolo de indeterminação, com o mesmo significado usual) refere-se a algo que, por si, não toma partido de qualquer dos lados duma disputa. Aquilo que é imparcial, indiferente. Também dito neutral. (Wikipédia)

E se tudo fosse neutro? E se andássemos para aí a atribuir qualidades mais ou menos de acordo com o que fomos treinados toda a vida para o fazer, em vez de atribuir a tudo as qualidades que mais nos beneficiam?
Por exemplo, quando achamos que alguma coisa é boa ou , agradável ou desagradável, bonita ou feia, a que nos reportamos? A ideias e conceitos que temos na memória, aprendidos de acordo com convenções que nos vêm dos outros, da educação, do socialmente estabelecido.
Como no caso do elegante ou deselegante, um corpo perfeito ou imperfeito, de acordo com a moda que, como todos sabemos, é uma coisa volúvel e impermanente.
Se esquecermos esses pré-conceitos, se abrirmos os olhos como um bebé recém-nascido, sem memória desses ensinamentos, veríamos as coisas de uma outra forma, com uma abertura capaz de nos surpreender.
As ideias e conceitos que nos são passados até podem ajudar-nos a funcionar socialmente dentro de um milhão de condições que rapidamente se tornam demasiado limitativos para agradar a toda a gente. Eventualmente, ao fim de algum tempo, todos nós acabamos por experimentar insatisfação e infelicidade com esse acumular de condicionantes que nos abafam.
Voltar a considerar a neutralidade como o princípio de todas as coisas, abrindo lugar a novas formas de ver e apreciar as coisas, não só é possível, como refrescante e um meio de descobrir soluções e outras formas de viver sem os compromissos mentais a que nos sujeitamos sem questionar.
No final, quantos de nós estão dispostos a rever os seus conceitos e ideias pré-adquiridas, ou a exercitar a sua capacidade de os reconhecer?



quinta-feira, 30 de julho de 2015

não é fácil, nem está certo

Cycle of Greed - by Anthony Rosbottom
Não é fácil. Não é mesmo nada fácil despertar logo pela adolescência para um apetite incontrolável pela fama, pelo dinheiro e pelo poder. Os excessos hormonais não são bons conselheiros, nem equipam as pessoas para fazer o penoso caminho de se juntarem a um partido político e passarem por todas as humilhações inerentes durante o melhor tempo das suas vidas, fazendo todo o tipo de trabalhos básicos, que mais ninguém quer fazer, só porque se é o último a chegar.
Estar presente para não perder o lugar, dia após dia, a aguentar longas horas com o único fito de subir na vida, esquecendo o que ela realmente é. Aturar intermináveis reuniões, congressos, campanhas e iniciativas, a ouvir sempre as promessas de quem não tem a mínima intenção de as cumprir, viver na sombra das mentiras dos outros, a dizer yes, yes, yes e a mostrar uma admiração e uma fé inexistentes. Tudo na mira de um futuro de lucros.
Assistir de camarote a todas as combinações trapaceiristas, colaborar na elaboração de embustes e rasteiras, aprender como extrair o pior dos outros para benefício próprio. Não pode ser bom, não pode favorecer um crescimento feliz e saudável, numa altura da vida em que o carácter pessoal está exposto e capaz de beber todas as influências.
Acabar como porteiro de um ministério, ou a zelar pelas mais intrincadas burocracias, códigos, regras e consequências, numa qualquer assessoria até alguém pôr um pé em falso, para então subir um degrau mais na penosa carreira política. Estar constantemente a convencer os outros de que a submissão canina e a falta de princípios conferem o direito a um ordenado e a uma posição nas listas.
Não é fácil a reles vida de um político em ascensão. Pelo contrário. É um aprendizado do medo, do poder apenas como abuso sobre os outros ou humilhação e perda. Para ganharem, os políticos acreditam que todos os outros têm de perder. E que têm de ganhar sempre mais e mais, porque o contrário é forçosamente perder.
Por isso, por que se indignam as pessoas que neles votam e depois os insultam nas redes sociais? Como podem acreditar que seres humanos, moldados nesses termos de abuso e de violência psicológica, podem ser governantes diferentes e demonstrar bom fundo, justiça, caridade e capacidade de gerir os bens públicos com as práticas anti-democráticas mais bem consolidadas nas suas mentes, nas suas vontades e na memória de cada célula dos seus corpos?
Não é possível que essas pessoas se tornem, de repente, credíveis e merecedoras de um único voto. Votaríamos nós em cães treinados para nos atacar e para nunca obedecer à nossa voz de comando?
Também não é humano condená-los depois de termos atado firmemente uma venda e votado numa lista com os seus nomes, ou deixado de votar num sistema para agora o acusar de não funcionar. A responsabilidade é de cada um de nós.
Como também somos responsáveis por permitir que esses pobres diabos sejam formados em grupos que funcionam como seitas, bandos de junkies e associações criminosas. Se fossem os nossos filhos, irmãos, amigos, não faríamos de tudo para evitar a sua perda e ruína? 
Votar neles é mantê-los em casa sem trancar as portas e esperar que tenham a força suficiente para não esvaziar os porta-moedas e levar o televisor da sala para trocar por uma nova dose.
Como alcoólicos, drogados e outras vítimas de adições várias, essas pessoas têm de ser encaminhadas para uma reabilitação. E a Procuradoria da República devia investigar a actividade de todas as associações criminosas que produziram a sua falta de carácter e dependência.
Isso sim, é o que devia fazer-se, em vez de entregar o destino das riquezas do País, a produção de leis e o policiamento a essas pessoas de diminuída capacidade para praticar o bem para si e para os outros.



  

terça-feira, 21 de julho de 2015

contraste

Jumble of bikes, by Mike Rubbo

"Contrast is the difference in luminance or color that makes an object (or its representation in an image or display) distinguishable. In visual perception of the real world, contrast is determined by the difference in the color and brightness of the object and other objects within the same field of view." [https://en.wikipedia.org/wiki/Contrast_(vision)]

O contraste é uma experiência, uma escolha que se impõe quase permanentemente. Até à exaustão, ao ponto de não o desejarmos mais. Mas não é o contraste que cansa. É o julgamento que dele fazemos, a não aceitação e, portanto, a falta de capacidade para o receber. 
Sem ideias pré-concebidas, o contraste é uma fonte de inspiração, uma reciclagem de energias. Sem ele, a nossa visão perde o interesse, acinzenta-se e cai em depressão. 
A norma, que ninguém sabe o que é e que não passa de um conceito elaborado a partir de uma noção de ordem/limites que nos reduz, estabelece o confinamento do contraste, sugerindo que o exagero é negativo, que nem oito nem oitenta, que há uma fronteira da qual não se deve passar. Pese embora o facto de nunca alguma vez se ter visto uma fronteira, a não ser a dos copos de água e de outros recipientes para conter porções de qualquer coisa, todos sabemos que a porção faz parte de um universo sem limites e sempre em expansão. 
Confunde-se, sem base lógica real, a experiência do contraste como nefasta sem exagero, sendo que o mesmo se aclama quando aplicado a determinadas buscas, mas não a outras.
A universal mania de estabelecer limites que são aceitáveis nuns casos e noutros não é apenas um reflexo de ideias que se impuseram como verdades, mas que mudam e evoluem com grande desprezo pela qualidade absoluta da verdade: a sua incontestabilidade total.
Aceitar que alguns contrastes são mais aceitáveis do que outros é admitir que a verdade pode mudar e deixar de o ser, em vez de reconhecer que os limites que nos impomos não podem ser verdadeiros, apenas porque a verdade é ilimitada.
Nada, além das fronteiras ou prisões criadas dentro das nossas mentes, nos impede de corrigir os nossos conceitos e voltar ao gozo gratificante dos contrastes.



segunda-feira, 20 de julho de 2015

ler traz felicidade

Desenho daqui

A leitura traz felicidade e isto não é uma afirmação vã. Basta pegar num livro quando estamos transtornados e começar um parágrafo para experimentar de imediato uma realidade diferente da que nos pôs naquele estado.
Quando não consigo meditar e, através dessa prática, readquirir o meu equilibro, leio. Ou desenho, ou pinto, ou ouço música. Às vezes vejo um filme. Algumas pessoas ligam a televisão e vêem novelas. Outras recorrem a palavras cruzadas, sudokus, grandes questões matemáticas ou da física. Ou numa mais corrente forma de concentrar a atenção como a jardinagem, a cozinha ou o arranjo de uma torneira.
Todos nós temos, sem nenhuma forma especial de aprendizagem, estas formas de nos concentrarmos numa tarefa que nos desliga de um momento difícil para nos mergulhar num outro espaço e tempo em que a realidade tem um ritmo e uma tonalidade muito mais apaziguadoras.
Não consigo meditar é uma expressão sem significado para quem tem consciência de todos estes pequenos instrumentos de acesso imediato à paz e à felicidade.
Ficar em sossego, bem sentado, a prestar atenção à respiração, ao movimento do ar que entra e sai do nosso corpo é tão bom como pegar num livro e mergulhar num outro espaço mental, ou cozinhar com atenção um prato que nos apeteça no sossego da cozinha.
É tão bom como ouvir um concerto e deixar que as emoções corram de vez com o nosso constante esforço para julgar tudo e todos à medida do que tão bem nos treinaram para fazer e tão mediocremente molda as nossas vidas.
Ler traz felicidade e contacto com o mundo dos outros. É o nosso veículo de transporte mental para vidas, viagens, sonhos e aventuras que existem em outras cabeças e que podemos partilhar instantaneamente.
Ler livros é uma obrigação quando tudo o resto que é preparado para nosso consumo se limita a pacotes de regras, leis e notícias cuidadosamente formatados para nos amargurarem a vida e nos manterem sob o efeito do medo, a droga mais mortífera e livremente traficada dos nossos dias.
Leio com consciência de que quem escreve produz uma diversidade e uma abundância de oportunidades a que dificilmente se tem acesso num mundo aparentemente desesperado e desertificado pela falta de ideias, de nobreza e de entusiasmo pela aceitação de outras formas de ver, sentir e pensar.
Fico mais feliz assim, sabendo que o que os livros me trazem são as ideias de quem vive mentalmente muito mais do que parece possível e que partilha comigo essa riqueza extraordinária.


sábado, 27 de junho de 2015

os meninos grandes que não partilham o recreio



O problema dos Portugueses e dos outros países é a pequena distorção do conceito de democracia que foi introduzida na prática política de quem se faz eleger pelos outros. Não é necessário ter uma maioria absoluta para governar, visto que isso diz respeito às ditaduras e não às democracias.
Em algum ponto da sua luta pelo poder, os agentes políticos esqueceram-se do que estão a fazer e do que representam. Usando a capa da democracia, instalaram a ditadura dos grandes partidos e querem mantê-la exigindo maiorias para não terem de negociar as melhores soluções para todos. Com a maioria, impõem as suas soluções e está tudo bem.
Ora, se as pessoas elegem representantes de três grandes partidos e ainda mais alguns de mais meia dúzia, todos eles deviam estar presentes na Assembleia da República, no Governo e nas Autarquias. Todos eles deviam participar das decisões e soluções, para que de facto se respeitasse a totalidade dos votos vertidos em urnas.
Dessa forma não se verificaria a ditadura dos grandes e dos seus interesses e todos seriam obrigados a considerar todas as soluções e a encontrar a melhor moldura para todos os portugueses e não apenas daqueles que conseguem ver-se representados nos órgãos de governação.
Isso não acontece e o resultado é a pior das soluções para todos, incluindo os ricos e poderosos beneficiados com as suas alianças temporárias com os partidos poderosos. O sistema favorece desta forma as iniquidades e a corrupção, assim como as perseguições políticas e policiais dos heróis e vilões, assim que a liderança muda.
O problema do senhor António Costa, assim como do senhor Passos Coelho, do senhor Paulo Portas e outros senhores, que há muito tempo deixaram de crer na democracia e apenas viram nela um trampolim para as suas ambições pessoais, é apenas a enorme falta de respeito que têm pelo princípio da igualdade entre todos os seres humanos e a sua incapacidade pessoal de encontrarem soluções em conjunto com os líderes de outras ideias para a governação.
Os seus preconceitos sobre quem deve governar o País são moldados pelo seu receio constante de perder o poder a que nunca tiveram direito, por ter sido obtido pela mentira de que acreditam nos ideais democráticos. Mas, no fundo, nenhum deles suporta sequer a ideia de negociar com outros que lhes possam roubar o protagonismo e o poder que amealharam de forma ditatorial, aos empurrões a quem não usa as mesmas armas, nem quer impor-se pela força.
Os seus projectos de governação, não são, por isso mesmo, aceitáveis nem viáveis. Continuarão a servir apenas os seus interesses e não os dos governados. A melhor solução é a que a todos serve e isso não é o que querem, pois nos seus projectos há sempre quem ganhe e quem perca. O investimento em todos é uma porção vazia na cabeça e nas intenções deste tipo de políticos.
O problema é que os movimentos que se assumem como alternativa também sofrem da mesma privação, de tão moldados ainda aos usos e hábitos partidários. Não produzem soluções aceitáveis porque a sua preocupação é derrubar o poder e, isso conseguido, ficam com o poder no mesmo figurino existente. Tudo o que sabem é o que não querem e não preconizam o que rela mente deve ser feito.
Se as pessoas votam em cinco partidos, esses mesmos cinco devem integrar todos os órgãos de governação, participar e assim validar o acto eleitoral e a vontade das pessoas que através dele expressam a sua vontade. Se dezoito são votados, então são dezoito, ou dezassete, se um deles tem apenas o voto do vizinho do lado, a governar e a colaborar para soluções que a todos abranjam e beneficiem.
Essa é a democracia desejada e não há ninguém que não se sinta frustrado e desesperançado depois de participar num acto eleitoral, verificando que o seu investimento político vai ser desprezado e, se possível, perseguido e aniquilado, apenas porque não é suficientemente forte. 
Que raio de estado de direito permite que estas pessoas vivam em terror após as eleições e que os seus direitos passem a valer menos que os dos outros por causa disso? Que lei valida este tipo de abuso durante quatro anos e permite que se instale uma caça às bruxas durante esse período? Nenhum e nenhuma que de facto defenda o interesse dos cidadãos, independentemente da raça. do sexo, da religião e, certamente, das suas convicções políticas...
A única solução que uma crise exige é a que serve todas as pessoas e elaborada por todos os seus representantes. Porque a crise é um conflito tremendamente mal avaliado, sobretudo se os instrumentos que a provocaram são os mesmos que se voltam a utilizar para tentar encontrar a solução. Isso faz sentido? Então porque não mudam o que realmente interessa? 
Quando estamos a falar de serviço público não estamos a falar dos meninos maiores que empurram os mais pequeninos no recreio. Estamos justamente a falar de evitar que os meninos grandes fiquem com recreio e as brincadeiras só para eles, que é o que acontece com os políticos actuais, que vestiram a farda mas passam o dia a fugir das suas obrigações, de tão ocupados que estão em garantir e exercer o seu poder, em vez de praticarem a democracia.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

os piratas da informação


Hoje, ao consultar o Público online, aparece-me uma janela como a da figura. Ou seja, a página da web de um órgão de comunicação social, utiliza software malicioso que controla as visitas à página, não anuncia que o faz, nem pede autorização para tal.
Que suposta isenção pode ter um órgão de comunicação social que pratica o que deve denunciar sobre os outros? Que dizer dos artigos em que supostamente denuncia más práticas e iniquidades? Que valor tem a informação que veicula?
Os cursos de jornalismo das universidades há muito que deviam ter sido extintos, visto que o código deontológico do jornalismo é um conceito igualmente extinto e ultrapassado. Quando a comunicação social, ou o quarto poder, se transforma descaradamente numa máquina de propaganda de interesses e abdica da sua função original, nada há que justifique a confiança na informação que propaga. Muito menos quando ignora sistematicamente injustiças, direitos e o livre acesso à informação.
Na verdade, a preciosa informação que o Público disponibiliza online está disponível por toda a net, noutros órgãos de comunicação social e pelas redes sociais, por quem queira armar-se em jornalista ou dar a sua opinião sobre actos e factos.
Poderia dizer-se que não é o mesmo, que não há isenção ou cuidado com verificação das fontes, da veracidade da informação, etc., etc. Mas o mesmo ocorre com os agentes informativos actuais e/ou oficiais. A descrença já feriu de morte a confiança dos consumidores de informação oficial. A manipulação é por demais conhecida para garantir a sua credibilidade.
Há décadas que os meios de comunicação social se esforçam por encontrar uma solução paga ara os seus conteúdos online. Mas tentar a sua implementação com piratices diz tudo sobre as suas verdadeiras intenções.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

o dia dos portugueses

Camões no Retrato Pintado a Vermelho do pintor português de origem espanhola Fernão Gomes
As coincidências são todas significativas e não é por acaso que o poeta da língua portuguesa, Camões, foi escolhido para representar o 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades. A propaganda política é, neste caso, uma doninha com um barrete frígio (que afinal vem da Turquia e dos seus heróis e não é um exclusivo da revolução francesa) e que ostenta a bandeira das quinas enquanto estabelece insidiosamente o retrato do português a celebrar: um artista sem o reconhecimento da sua época, um morto-de-fome, um falhado.
Esta é a representação dos portugueses que agrada à propaganda, o desgraçado que se vai buscar ao banco de ossadas e se reabilita na medida da caridadezinha, desligado dos outros, que são poderosos e só se dão em alianças com os poderes externos, com os estrangeiros que também nos desdenham e afinal nos querem comprar.
Ninguém acredita na sobrevivência de um país de apenas dez milhões, que empurra a sua juventude e a sua força de trabalho para o exterior. Já todos falam no seu desaparecimento e planeiam a ocupação do seu território por vários conluios de gente mais habilitada para gozar as belezas do País do que os pouco merecedores portugueses.
Essa é a arquitectura mental com que se celebra este Dia de Camões. Sem qualquer respeito pela vontade dos Portugueses. Até porque a sua integridade física está ferida de todas as formas de exploração e iniquidade possíveis de imaginar. Nunca um povo foi sujeito a um plano de aniquilação tão perfeito e continuado, sem qualquer hipótese de denúncia contra os seus algozes.
A maldade é, felizmente, escassa. Porque trabalha com base na destruição. Nada cria, apenas consome o que já existe.
Ao contrário do amor dos verdadeiros Portugueses pela sua identidade, pelo que representam. E isso é a criatividade, a vontade de ultrapassar as mesquinhas barreiras físicas que lhes impõem.
A verdadeira força está na inspiração que ilumina as sua capacidade mental, à imagem e semelhança do sol que brilha por cá como em nenhum outro lugar (as coincidências continuam a ser significativas), na fé que irrompe nos instantes cruciais e nos faz mover montanhas, dar a volta ao mundo e subsistir a todas as tentativas de aniquilação.
Não é por acaso que as fronteiras portuguesas são das mais persistentes. É pelo amor dos Portugueses e pela sua crença essencial de que os milagres acontecem e não há adamastores que lhes resistam. É porque o Bem infecta qualquer mal e podem vir Chineses, Russos, Brasileiros e outras hordas por cá à conquista, que não lhe resistirão.
O vórtice português é um caso único, como já em tempos reconheceram os romanos e outros invasores. Nem os Miguéis de Vasconcelos, nem outros colaboracionistas, idos e actuais, terão alguma vez qualquer hipótese de aniquilar este mágico Portus Cale, ou Porto do Graal, ou Portugal.
Apesar da negativa orientação emprestada aos seus destinos pelas elites que acham que a vida é um privilégio da matéria e, portanto, dos fortes e poderosos, os Portugueses sabem, no seu íntimo, que é a integridade do espírito que os guia. E a integridade não divide; antes, fortalece todos numa união imbatível. É esse o carisma de Portugal e a atracção fatal de quem tem a sorte de connosco contactar.