segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

em paz

Foto: MMFerreira - Templo Budista de Sintra
Fechar os olhos e ficar em paz. Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a paz de Deus. (Um Curso em Milagres - Helen Schucman)


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

birras das crianças


Quando as coisas não lhes agradam, as crianças queixam-se, choram, fazem birra. Não têm outra forma de se manifestar, nem outras ferramentas para o fazer. Têm adultos que agem por elas, no sentido de lhes proporcionarem aquilo de que precisam.
As queixas deixam de ser uma opção quando crescem e passam a ter à mão as mesmas ferramentas das pessoas que delas cuidaram. Portanto, passar a vida adulta a fazer queixas e escolher não utilizar meios de gente crescida para resolver a vida é uma opção discutível.
É imaturo passar a vida ao lado de alguém de quem se diz mal, fazer queixas do patrão e do trabalho e não fazer nada para mudar de emprego ou a situação, protestar contra a injustiça e os políticos corruptos e não sair de casa para ir votar quando chega a altura.
As queixas são pretextos e desculpas para não se fazer o que está certo, o que é lógico e correspondente a quem cresceu e tem ferramentas para resolver as suas questões. Acontece que não há desculpa para não se fazer aquilo que nos apetece e nos parece justo. 
Passar o dia em queixas e protestos é extenuante. Até podemos começar por aí, mas o que vai mudar realmente alguma coisa é agir de acordo com o que queremos. 
Escolher a acção é mudar a nossa vida de um momento para o outro, sair do pesadelo e começar a andar na direcção do que queremos. 
Será assim tão difícil investir nas soluções o mesmo que investimos nas queixas? Será tão extraordinário viver como adultos em vez de estar sempre a fazer a birra das crianças?

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

amor e alegria incondicionais (NAAAS)

Ontem levaram-me de visita a uma quinta em Sintra onde funciona o NAAAS (Núcleo de Apoio a Animais Abandonados de Sintra). Mais uma iniciativa em que a solidariedade de algumas pessoas tenta compensar a indiferença e a maldade dos que se acham capazes de governar os outros.
Logo à entrada, um avô com a filha e dois netos a pedir para ficarem com o cachorro da família, Max, dois anos e meio de dedicação exclusiva e desinteressada a uma espécie que considera sua, a tremer entre as pernas da dona pela certeza do que lhe ia acontecer.
As histórias de quem abandona os cães são sempre de cortar o coração, o que acaba por acontecer a quem é abandonado e a quem tem de lidar com esse facto. A solidariedade é mais ou menos um subsídio que é devido a quem não tem direito, mas acha que o conceito foi inventado para lhes trazer mais uma vantagem qualquer.
O Max foi adoptado cerca de meia hora depois de ter sido abandonado. Teve sorte diferente das muitas dezenas de cães que o NAAAS abriga, alimenta, passeia e acarinha através dos seus voluntários. 
Durante a visita, a amiga que me levou não conseguiu reter algumas lágrimas. Ouvir as histórias de cada um dos cães que ali está, perceber a crueldade por que alguns passaram e o abandono a que são tão vulgarmente votados é mais do que suficiente para abalar qualquer coração.
O que vi, no entanto, foi a alegria com que a a maioria esmagadora deles salta, corre e aproveita o momento, porque estão vivos, abrigados e tratados. O amor com que saúdam as pessoas que deles tratam, a gratidão sem limites com que os reconhecem. 
Nós, que procuramos ajudá-los e temos pena deles, poucas vezes nos concedemos a mesma felicidade e passamos boa parte da nossa vida a tentar entender os conceitos que aqueles animais praticam: amor e gratidão incondicionais.

Muitos dos cães do NAAAS são velhos, doentes e estão ali há muito tempo. São os que têm menos chances de ser adoptados. Alguns deles ainda não desistiram de procurar nos nossos olhos um sinal de que os desejamos como companheiros e membros de direito de uma família. 
Poucos acreditam que o seu papel com a nossa espécie esteja terminado. Sabem ao que vieram e esperam com paciência que as suas almas gémeas venham ao seu encontro. Por isso, se acham que precisam do apoio incondicional de um amigo completamente dedicado, vão até lá e procurem os olhos dos que sabem aquilo que buscam.
O meu preferido foi o Alvim (na foto), que não olhou para mim porque é quase cego. Mas que mostrou bem, com a sua vivacidade, a certeza de que vai cumprir o seu papel de companheiro.

Vão até ao site do NAAS ou até à página no Facebook. Escolham o vosso companheiro ou apadrinhem um. Talvez as duas coisas. Comprem de vez em quando uma saca de ração e vão lá deixar. Ofereçam-se para passeá-los ou para encontrarem amigos que precisem urgentemente destes amigos. A vossa generosidade será amplamente recompensada de formas que nenhum dinheiro compra.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

efeito aleluia

"Alleluia effect" - Guincho, Cascais (foto: MMFerreira)
Cascais acordou hoje no meio de mais uma encenação política para as eleições de domingo: um panfleto de oito páginas, mimetizando as cores e o estilo da coligação que preside a autarquia, utilizado para acusar o executivo em funções.
Introduzindo links e assuntos trazidos a lume pelos independentes, não é difícil pôr o concelho a pensar que a iniciativa é do movimento de cidadania que Isabel Magalhães lidera.
Analisadas as minúcias associadas, e atendendo a que o movimento citado não tem os euros necessários para espalhar maciçamente um panfleto com aquela qualidade por todo o território da autarquia, fica claro que a iniciativa só pode ter brotado de outros, nomeadamente com capacidade económica e maior tradição panfletária, como é o caso de outros dois portentosos adversários do movimento de cidadãos e também do edil local.
Ainda ontem, citando sem inocência o exemplo de Cascais, um professor defendia no jornal Público, a tese de que uma democracia sem partidos é uma ditadura, deitando para isso mão a argumentos que datam do século XIX e dos seus eméritos pensadores. Como se não tivessem passado duzentos anos entretanto, como se outros pensadores não tivessem surgido nesse espaço de tempo e, pior ainda, como se não fosse evidente que as democracias viram ditaduras de cada vez que um partido colhe a maioria dos votos.
Acontece que o desinteresse pelas acções anónimas e ataques espúrios em tempo de campanha faz parte da forma de estar dos cidadãos a quem importa uma convivência social e política saudável.
É o efeito aleluia que procuramos quando escolhemos um movimento como o SerCascais para corrigir o nosso rumo em direcção ao futuro. Não a descida às catacumbas em que os partidos gostam tanto de manter os cidadãos para os afastar de uma vivência plena dos seus direitos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

a vida como uma lanterna chinesa

"Inner Garden Beauty" (acrílico sobre tela - 90 x 90 cm) - MMFerreira
Imaginemos que a vida, o universo, a história, tudo o que conhecemos e podemos vir ainda a conhecer está armazenado no tubo de papel de uma lanterna chinesa, uma dessas com pregas que se desenrolam para lhe dar volume antes de se pendurar com uma lâmpada lá dentro. Imaginemos que, ao espreitar lá para dentro, vemos tudo o que fomos, o que somos e o que suspeitamos que ainda viremos a saber. Vemos também os sítios onde estivemos e onde ainda gostaríamos de ir. Os nossos amigos e os inimigos, os animais, as plantas, os rios e oceanos, as estrelas e tudo o que o conhecimento pões ao nosso alcance. 
É um mundo imenso, tudo dentro do tubo de papel da lanterna chinesa. Tudo o que podemos imaginar, conceber, lembrar, incluindo o espaço com as suas constelações, buracos negros e transformações e todas as nossas vidas e as que provavelmente andam por aí sem que saibamos da sua existência.
Imaginemos agora que achatamos a lanterna, com tudo o que lá tem dentro. Ficamos com um disco de papel espalmadinho e pronto para ser guardado em qualquer canto. Diminuiu drasticamente de tamanho, mas o que lá estava dentro continua no mesmo sítio, só que arrumado de outra maneira. E fora dele, continua o resto da vida, tudo o que ainda não conseguimos apreender ou imaginar.
Isso põe tudo em perspectiva, está visto.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

amor, contraste, desafio

Um amor vivido até ao infinito, esquecido de fronteiras enganosas, separações impostas pelas barreiras dos sentidos. Um amor assim é o único que merece a nossa luta. Não o das indecisões, meias verdades, sacrifícios e privações. O amor é o contrário disso tudo, mas permanece nos contrastes e nos desafios. Indiferente aos julgamentos e às condenações. Coragem...

terça-feira, 13 de agosto de 2013

lembra-te

I just wanna give you something to remember me by / I won't be gone forever / And our love is for all time
Pequenos gestos para manter a chama do amor sempre presente.