segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

anjos vermelhos

 

"red angels" by MMF

Sempre gostei de anjos. Não nos que ficam presos nas imagens religiosas, embora alguns sejam incrivelmente belos. Vejo-os mais como seres capazes de se mover entre dimensões e de nos alertar para possibilidades que ainda não nos demos ao trabalho de explorar. Se algum dia me virem a olhar para o ar e a farejar, como os nossos parceiros de planeta fazem tantas vezes, o mais provável é que ande à procura de anjos e das suas subtis manifestações.

Hoje desenhei e pintei dois anjos para a Aida, minha mãe. Que neste momento, em que não lhe faltam de certeza as subtilezas amorosas dos anjos, também precisa da força do vermelho que nos corre nas veias. Do vigor do amarelo e das asas reservadas aos seres magníficos. E das combinações fantásticas de todas as outras cores, que nos inspiram para as pequenas e grandes coisas da vida.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

flores brancas

 

"white flowers" by MMF

O meu avô materno fazia questão de oferecer um cravo branco à minha mãe sempre que havia exames ou prestava provas de qualquer tipo. Os cravos brancos e outras flores da mesma cor tornaram-se para nós um símbolo de boa fortuna.
Hoje, dia de eclipse solar e lunar, que só é visível no Chile e algumas outras partes da América do Sul, aproveito para deixar aqui um ramo de flores, com algumas sortudas de cor branca, para todos os que delas necessitem, para a sua vida e, sobretudo, para as amabilidades do coração.
Em especial, são também para a minha mãe, que me passou esta forma de cultivar a boa sorte, nem que seja só recordando-nos que não há mal que sempre dure.
As oportunidades andam sempre a vagar por aí e só saber que assim é abre-nos os olhos para possibilidades insuspeitadas.
Assim seja, Mãe Aida. 
🤟


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

5 de Outubro familiar

 


Da boca do meu avô materno ouvi a história de um 5 de Outubro vivido por ele aos dezasseis anos. A partir daí a data saltou dos compêndios de História para a esfera familiar. É assim que, por vezes, adquirimos uma percepção diferente dos acontecimentos e dos efeitos que têm nas pessoas que não são as figuras históricas descritas pelo conhecimento oficial.
Natural de Paderne, o meu avô pertencia a uma família ligada à indústria conserveira e um de catorze irmãos, herdeiros de alguma fortuna. Às tantas, por conta de dinheiros, os mais velhos terão ameaçado os mais novos e ele, com catorze anos, e um irmão mais novo, fugiram para Lisboa para escapar à sanha familiar. 
Safaram-se como podiam, como acontecia com os rapazes naquela altura. Até, aos dezasseis anos e por ter mentido na idade, o meu avô ter conseguido entrar para a Guarda Real. Mais alto do que era habitual na altura, de olhos azuis, foi um candidato bem acolhido e lá se manteve por quase um ano até ao 5 de Outubro.
Nessa altura ele e os outros guardas foram metidos em calabouços, à espera de um pelotão de fuzilamento. Quando os interrogaram para decidirem o destino que lhes cabia, um oficial descobriu a idade do jovem guarda e decidiu que podia transitar para a Guarda Nacional Republicana.
Apesar de agradecido à sorte que lhe coube e com receio que a Monarquia voltasse a ser instaurada ━ situação em que, com certeza, não escaparia ao fuzil ━, o meu avô mudou para a Polícia, para onde o seguiu o irmão mais novo. E, posteriormente, enveredaram por uma feliz carreira como polícias sinaleiros que só terminou quando se reformaram. 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

miss Libby e os abutros

 


Entre as muitas actividades de que a minha mãe se lembrava para me manter debaixo de olho, além de me fazer frequentar as aulas de estenografia, caligrafia e dactilografia que leccionava, havia as aulas de alemão de Miss Libby. 
A minha mãe sempre sempre teve uma habilidade especial para acolher debaixo das suas asas cães, gatos, lagartixas e outros seres estranhamente desemparelhados na vida. Miss Libby era uma dessas criaturas. Professoras no mesmo colégio, as duas tornaram-se imediatamente amigas.
As aulas tinham o propósito de controlar a minha mente ociosa com interesses dignos aos olhos dos adultos e, ao mesmo tempo, dar uma ajuda ao orçamento de Miss Libby. Tinham lugar num "apartamento de solteiro" que alugava na Ponta Gea, na Beira. 
Ao contrário da resistência esperada da minha parte, tudo naquelas explicações me encantava. A começar pelo apartamento minúsculo, sempre mergulhado na penumbra e cheio de livros em mais do que duas ou três línguas. Não falhava uma tarde.
Miss Libby exercia um fascínio total sobre mim. Sempre vestida de escuro, com o cabelo preto agarrado atrás, o nariz adunco que ocupava quase toda a cara. Falava muito sozinha e tocava nos livros enquanto se mexia de um lado para o outro.
Era nova e até eu, com os meus dez anos de experiência de vida, conseguia notar isso. Mas parecia a pessoa mais velha do mundo, com memórias que se arrastavam com ela e me faziam acreditar que tinha vivido incontáveis e secretas aventuras. Ao lado dela transformava-me numa sombra, à espera dos segredos que tinha para me revelar e que já incendiavam a minha imaginação.
As aulas de alemão decorriam com grande intensidade, com Miss Libby a perorar interminavelmente naquela e noutras línguas, porque a mente dela também tinha a capacidade de a desviar para dimensões paralelas onde escondia as suas outras vidas. Para mim, tudo aquilo era simplesmente fascinante.
Quando a minha mãe chegava, no fim das lições, ouvia as deambulações de Miss Libby sobre as indignidades do mundo. E antes de sairmos, o seu aviso preferido: "São abutros, Aida. Abutros!"
E lá a deixávamos, com os seus livros e fantasmas, na sombra do apartamento e das vidas que a faziam parecer tão velha e interessante.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

descobre o cão

 


Há dois dias uma frequentadora dos trilhos de Monsanto foi fazer o seu exercício matinal com os auscultadores a marcarem o ritmo da marcha. A páginas tantas percebeu que alguém a interpelava e removeu um dos auriculares.
Um passeante habitual, conhecido pelo seu ar carrancudo, dirigia-se a ela tratando-a por tu sem com ela ter qualquer tipo de contacto prévio. Observou que ela andava por ali sozinha e devia querer alguma coisa, que ele bem sabia, etc.
A passeante, que a princípio considerou que o homem talvez precisasse de alguma coisa, resolveu cortar a conversa e disse-lhe para não lhe dirigir mais a palavra.
O homem, provavelmente gravemente ameaçado na sua masculinidade por tão clara falta de respeito da caminhante, redobrou os impropérios, desferiu ameaças e levou repetidas vezes as mãos às partes gagas para reclamar que ela o "chupasse".
A senhora acelerou o passo na direcção em que tinha estacionado o carro e o homem interpretou isso como uma perseguição e ameaçou-a de novo.
Perto estava uma jovem com um telemóvel, a quem a passeante pediu que ligasse para a polícia, visto que não levava consigo o seu.
O homem desapareceu entretanto e juntaram-se algumas outras pessoas às duas mulheres, entre as quais o dono de um cão também frequentador daqueles trilhos.
Um carro-patrulha apareceu, com três agentes. Contada a história, o mais velho resolveu pedir à senhora que, no dia seguinte, quando não estivesse tão magoada... O termo despoletou de imediato indignação da queixosa e motivou um pedido de desculpas do agente.
Abreviando, a cidadã assediada descreveu o indivíduo e indicou a possível direcção que teria tomado, uma vez que já se haviam cruzado nas caminhadas com os cães e outros frequentadores dos trilhos. Os agentes afirmaram ir ver se o encontravam.
Já no carro, a senhora dirigiu-se até onde costumava ver o homem e viu-o numa das descidas para Alcântara. Voltou para junto do carro-patrulha, estacionado no local onde tinha feito a queixa e com os três agentes lá dentro.
Apitou e indicou-lhes a localização do indivíduo. O carro seguiu para o local indicado e abordou o homem. E assim ficaram as coisas.
Vários telefonemas para a esquadra de origem dos agentes não lhe permitiram saber se alguma medida tinha sido tomada e uma deslocação antes das oito da manhã do dia seguinte permitiu-lhe encontrar o agente e ficar a saber que o homem, segundo a sua versão, a tinha apenas mandado ir dar banho ao cão.
Concluindo, terá de dirigir-se de novo à esquadra para apresentar queixa e citar testemunhas, que não existem porque quem lhe acudiu não chegou a ver o homem e também não têm qualquer interesse em expor-se a contactos com a polícia. Tem também de assegurar que, no relatório da queixa que lhe derem para assinar, indicam a deslocação do carro-patrulha.
E assim ficará a coisa, com a recomendação de prescindir dos seus direitos de frequentar os trilhos de Monsanto e, no caso de nova ameaça, não resistir (recomendação telefónica da APAV).
Agora digam lá: já descobriram o cão?

(Recomendação generalista direccionada às caminhantes do sexo feminino: usem uma t-shirt estampada com a frase "Vai dar banho ao cão" e talvez evitem um acesso de agressividade do homem referido, ou de outros igualmente comprometidos com a ameaça irracional que as mulheres representam. Ou um pedido para uma melhor formação de agentes da autoridade nestes e noutros casos.)

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

sopros

 

"belonging" by MMF

A lembrança de que pertencemos a este mundo de uma forma que não estamos habituados a considerar. É o que acontece numa inspiração, durante uma meditação. Inspiramos e recuperamos a memória do que nos liga a esta vida. Um sopro, do qual cuidamos levianamente. Que nos esquecemos de cultivar.
De algum modo, a respiração é o que nos liga a este mundo, que só não é mais estranho porque ele também existe na dimensão da mente. E da construção que dele fazemos com as nossas experiências, emoções e sonhos.
Queremos acreditar que este mendo existe além de nós e isso até é verdade, porque somos sete biliões de mentes a construir a sua realidade simultaneamente. Num jogo em rede que ainda não se consegue replicar em simples softwares de aparelhos electrónicos.
Como é que se pode imaginar a tremenda ligação entre todas as mentes enquanto se dedicam a tempo inteiro à construção dos seus mundos individuais? Com é que se pode ter uma ideia da louca variedade de conceitos e experiências a que se entregam? Ou às decisões a que conduzem?
E este mundo em que andamos, a ser moldado pela teia de impulsos que originamos? Ou como a ponta do iceberg num universo que se acredita infinito?
Estaríamos cansados de tão imensa falta de limites quando decidimos vir para um insignificante planetazinho e viver uma experiência tão diferente? Ou não se, como se diz, em baixo como acima. Lá voltamos nós às teias que se misturam interminavelmente.
No final, haverá mesmo paz para a fadiga de quem assim guerreia?

sexta-feira, 24 de julho de 2020

silêncio intermitente


Hoje estou mesmo contente por ser sexta-feira. Esta semana foi exigente. Estou a precisar de um fim-de-semana calmo, contemplativo, silencioso.
(anda por aqui uma daquelas fantásticas máquinas camarárias que limpam ruidosamente os cantos aos passeios) (noutros dias são as máquinas de jardim) (e os autocarros que vão levar as crianças da escola à praia, que não desligam os motores enquanto esperam que as organizem para saírem a passeio) (ontem era uma grua a despejar contentores de recolha de lixo das obras) (para não falar nos berbequins, marteladas e toda a panóplia de ruídos invasivos que o restauro das casas exige) (e os diálogos em voz excessivamente alta entre os empreiteiros e os trabalhadores) (conversas intermináveis ao telemóvel, como se, de facto, o ganho esteja na repetição compulsiva de miudezas)
Agora está em voga o jejum intermitente. O corpo acumula lixo e é preciso depurá-lo. A poluição também é sonora e haveria que a depurar também. Metade das ansiedades ia-se embora com um bom plano de silêncio intermitente.
Parece que não nos fartamos de poluir, de muitas formas diferentes. O ruído é o segmento de poluição mais pesado que existe, porque parece que ninguém dá conta da sua existência.

terça-feira, 21 de julho de 2020

sobreviver às tempestades


Terça-feira com ameaça de trovoada. A pior tempestade não é, apesar disso, a dos elementos. Há duas semanas, o rapaz que veio entregar café, não trazia máscara porque estava muito calor. A semana passada, em nova entrega de encomenda, o estafeta não trazia máscara porque estava a trabalhar e não era necessário. Hoje, o técnico da empresa de comunicações queria entrar em casa sem luvas ou protecção para os pés, porque ninguém lhe tinha dito que eram necessárias. Não só não entrou, como saiu furioso e tratou de acelerar o carro de serviço desmesuradamente nos cinquenta metros até à passadeira da escola local.
Pode ser do calor, pode ser do trabalho, pode ser porque ninguém lhes diz nada. O certo é que, cinco meses depois de informação e propaganda incessante sobre os cuidados de higiene, protecção e distanciamento preventivo, as pessoas não podem alegar falta de conhecimento para desculparem os seus comportamentos suicidas que implicam com a segurança dos outros.
Entende-se perfeitamente por que razão subiram os casos de contágio desta pandemia. Assim não se vai lá.
As filas de entrada nos supermercados e noutros sítios mostram pessoas a um escasso meio metro umas das outras. Muita gente anda pela rua entre outros transeuntes sem máscara. Aborrecem-se porque lhes chamam a atenção.
Toda a gente gostaria muito de enterrar a cabeça na areia e esquecer que esta pandemia alguma vez aconteceu. Mas ela não vai desaparecer só porque se decide um desconfinamento. O problema veio para ficar e há que lidar com ele antes que extermine uma boa parte, senão a totalidade da população.
O facto é que há que mudar hábitos e, quanto mais depressa o fizermos, mais depressa a economia volta a encontrar um bom rumo. O maior problema da economia global é, neste momento, a pouca vontade de mudar sistemas que nos trouxeram até aqui.
Não usar máscara ou praticar alguma outra forma de protecção é como estar num meio de um incêndio e recusar qualquer acção porque não se teve nada que ver com aquilo. A verdade é que este vírus veio demonstrar que todos estamos implicados, ligados e apenas a consciência disso nos poderá tirar do aperto em que estamos metidos.
Nenhuma das nossas acções é isolada e afecta toda a gente numa escala igual à das ondas que uma pedrinha provoca num lago. Há implicações e nenhum de nós se pode subtrair ou encará-las levianamente.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

quinta-feira, 16 de julho de 2020

santos e manjericos


"Santos Manjericos" - MMF 2020

Parece que já vou tarde para festejar os santos populares. Mas como ficam sempre os vasos e as recordações, há sempre tempo pretexto para confessar os amores e desamores com que as celebrações nos presenteiam.
O António é um perigo, como os bailes de carnaval. Se não nos precavemos, cai-nos pelo menos um namoro em cima. E, se isto tem que ver com a capacidade dos antigos de prever uma época de enrolanços, isso diz o suficiente sobre o nosso aparente domínio das emoções.
Os manjericos são uma gracinha, delicados e de cheiro agradável. Não se sabe bem como aguentam a brutalidade selvática das festas.
O João, que devia ser mais romântico e idílico, fica esquecido entre os vapores etílicos dos foliões e mais parece que os festejos se devem a um derby futebolístico do que à comemoração do apóstolo do amor.
Pedro, depois de tanta baderna, é o santo mais discreto, que enche toda a gente de receios com a chuva ou falta dela. 
É caso para dizer que, assim, nem os santos nos valem.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

dia de Portugal a cores

"Green, Red and Yellow Hearts" - MMF
Achei muita graça aos Lusíadas, apesar de ter tido de me habituar à leitura rebuscada do texto em verso. As histórias assaltavam a minha imaginação, embora só uns anitos mais tarde, rendida às delícias da ficção científica, tenha percebido o verdadeiro potencial do clássico.
Na altura, a professora encarregada de nos revelar as maravilhas camonianas era uma goesa de Moçambique. Um vislumbre da riqueza ainda menosprezada do caldeirão das raças alimentado pelos portugueses. Mesmo nos momentos mais segregacionistas dos regimes passados, o dia-a-dia de muitas raças juntas era uma prova inequívoca de que o mundo não era necessariamente branco, ocidental ou mesmo masculino.
A cor branca, já que trazida à baila, é a junção de todas as cores e é a cor que reflete todos os raios luminosos, não absorvendo nenhum e por isso aparecendo como clareza máxima. Andamos todos às escuras quando gritamos contra "poderes brancos" e a replicar conceitos que, afinal, entendemos com muito pouco entendimento.
A confirmar-se que todas as raças descendem da negra, então é que a porca torce o rabo e se destroçam os argumentos extremados de algumas gentes. Podia até escrever-se mais um poema épico sobre esses filhos descoloridos que se indignam com as cores dos seus egrégios papás.
A indignação tem duas faces, como as moedas. Numa delas é a legítima recusa de circunstâncias injustas. Noutra, apenas um muito feio reflexo de medos treinados em nós por outros. Enfim, as moedas também se trocam.
Bom dia de Portugal e de Camões, que via mais com um olho só do que muitos outros, mesmo com os mais correntes olhos virtuais. Bom dia das Comunidades e muita paz, à laia de vacina contra exaltações avulsas.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

maio, mulheres e vermelhos

"Starry  Women" by MMF

Maio é para as mulheres. O mês vermelho assenta-lhes que nem uma luva. Embora Março, o mês da guerra, queira monopolizar a cor. Maio é vermelho e das mulheres, definitivamente. Também é o mês das rosas que, como se sabe, tinham um trato com Isabel, a Rainha Santa, quando era preciso disfarçar o pão que seguia para os mais esfomeados.
Há sempre uma história de mulheres quando se fala no vermelho. Não precisa de ser vermelho-sangue, porque isso apela ao que pode haver de pior em qualquer um de nós. No meu caso, imaginá-lo ou vê-lo é suficiente para me desligar a consciência, mesmo em circunstâncias em que os olhos teimem em manter-se abertos.
Do lado masculino a apetência pelo vermelho fica-se essencialmente por gravatas, sapatos e uniformes desportivos. Acolhem muitíssimo melhor os pretos, cinzentos e azuis escuros com que se pavoneiam como se fossem uma força de elite, naturalmente promovidos pela farda das suas vidas.
Para as mulheres qualquer vermelho serve, sobretudo em Maio, altura em que a pujança da cor anima a vida para o resto do ano. O Maio da Maya não deixa os seus créditos nas mãos de outros. Viva Maio, o vermelho e as mulheres.
Já o mar da mesma cor é, normalmente muito mais da cor das grandes massas de água. O que é uma pena porque dá gozo imaginá-lo como um depósito de gelatina de morango com propriedades misteriosas e agradáveis, além de ser possível associar-lhe um aroma frutado.
O vermelho dos vinhos é outra conversa. Além da cor, o álcool adiciona mais uns pontos ao capítulo da energia, embora seja depois necessário compensá-lo com muita água e ainda mais juízo. Juízo esse que não se aplica a crenças por provar como as das luas vermelhas, a irritação dos touros quando vêem uma cor que de facto parece não ser por eles reconhecida.
Os magos também gostam dos forros vermelhos onde, em combinação com o negro, é fácil ocultar o que não deve ser visto. Será que a Rainha Santa recorreu A uma artimanha semelhante? Porque, como mulher, era senhora para isso, com toda a certeza.
De qualquer forma, quando se sentirem desanimados, pensem em vermelhos e, se possível, em tomar um copinho de néctar vermelho. Ou bailarinas de flamengo vestidas a rigor.  Flores de Natal?